Trump prepara tarifas sobre bens europeus. Portugal pode ser prejudicado

Organização Mundial do Comércio terá confirmado que a Airbus recebeu ajudas ilegais da União Europeia. O caso já durava há 13 anos.

Donald Trump prepara-se mesmo para impor sanções em bens da União Europeia avaliados em até 10 mil milhões de euros. Isto será possível depois de a OMC - Organização Mundial do Comércio ter confirmado que a União Europeia concedeu ajudas financeiras ilegais à Airbus para o fabrico de aviões no início da década de 2000. A decisão final da OMC terá sido comunicada na sexta-feira aos responsáveis norte-americanos e europeus, adianta este sábado o jornal digital Politico.

O montante dos bens que vierem a ser taxados poderá variar entre os cinco e os oito mil milhões de euros, segundo um responsável ligado a Bruxelas; outra fonte, no entanto, admite que este valor poderá atingir cerca de 10 mil milhões de euros, acrescenta o mesmo jornal.

Desde abril que os Estados Unidos vinham a ameaçar com uma carga pesada de impostos a produtos europeus se a OMC declarasse como ilegais as ajudas europeias à Airbus, rival da norte-americana Boeing.

Na altura, o departamento do Comércio dos Estados Unidos explicou que o governo norte-americano iria imediatamente acionar o artigo da secção 301 da Lei do Comércio de 1974 de forma a “identificar os produtos europeus que podem sofrer impostos adicionais até a União Europeia remover os apoios” à Airbus. Na lista, encontram-se vários bens como queijo, vinhos, helicópteros e motas. A lista viria a crescer no início de julho, ao terem sido acrescentados bens como carne, massas e até alguns tipos de whiskey e tubos.

O representante comercial americano estimou, em julho, que os subsídios atribuídos à Airbus prejudiquem os EUA em cerca de 11 mil milhões de dólares – 9,7 mil milhões de euros – por ano.

A primeira queixa dos Estados Unidos à OMC foi apresentada em 2006 acusando a União Europeia de proporcionar ajudas financeiras ilegais para o fabrico dos aviões A350 e A380.

A União Europeia tem uma situação semelhante pendente contra a americana Boeing, tendo já um conjunto de tarifas retaliatórias prontas a serem aplicadas. Embora esta disputa seja anterior à chegada de Donald Trump à Casa Branca, a altura em que estas medidas surgem, vai colocar ainda mais tensão na relação entre Bruxelas e Washington. Só que a decisão da OMC relativamente a este caso só deverá ser conhecida daqui a oito meses, adiantaram fontes industriais ao portal Politico.

Prejuízos para Portugal

Caso as sanções económicas avancem, Portugal poderá vir a ser prejudicado uma vez que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial português fora da União Europeia e o quinto a nível global, com as exportações nacionais a cresceram de 3,4 mil milhões de euros em 2013 para 4,66 mil milhões de euros em 2017, o que representa um aumento de 8,6% em cinco anos.

As maiores empresas nacionais exportadoras para os Estados Unidos são a Amorim, Petróleos de Portugal, a Bosch, Browning Viana, a Continental, a Hovione, a IKEA Portugal, a Navigator e a Netsjets Transportes Aéreos. Entre os maiores investidores nacionais no mercado norte-americano estão a EDP Renováveis, a Hovione, o grupo Amorim, a Portucel e o grupo Pestana.

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