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Turismo a caminho da estabilização em 2019

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O brexit, a recuperação de destinos da bacia do Mediterrâneo e o esgotamento do aeroporto de Lisboa podem ser as nuvens para o turismo.

O céu azul e o sol vão continuar a brilhar para o turismo nacional em 2019, embora algumas nuvens possam pairar. Os hoteleiros nacionais ouvidos pelo Dinheiro Vivo não esperam sobressaltos no próximo ano, antecipando mesmo que 2019 não deverá fugir muito ao retrato deste ano. “2016 foi um ano muito bom, 2017 foi um ano excelente e 2018 foi na mesma positivo. O que se perspetiva é um ano [de 2019] bom, mas não um aumento da procura como se sentiu desde 2014 até 2017”, avança José Theotónio, CEO do grupo Pestana.

2017 foi considerado como o ano de todos os recordes: a hotelaria registou acima de 20,6 milhões de hóspedes e mais de 57,5 milhões de dormidas. Este ano ainda não terminou e as contas finais só serão conhecidas no próximo ano, mas, até outubro, há um crescimento ligeiro tanto no número de hóspedes como no rendimento médio por quarto disponível, face ao mesmo período de 2017, e um abrandamento nas dormidas, de acordo com o INE. A Confederação do Turismo de Portugal, por outro lado, já colocou os pratos na balança e estima que este ano o número de hóspedes e de dormidas fiquem em linha com os valores registados no ano passado. Já as receitas turísticas vão disparar 12% para os 12 mil milhões de euros.

O líder do grupo Pestana nota ainda que é necessário distinguir entre os destinos nacionais de sol e praia e os de cidade. No caso dos primeiros, a concorrência de destinos como a Turquia, Tunísia e Egito, que estiveram adormecidos e que desde 2016 têm vindo a recuperar, deverá continuar a fazer-se sentir. “Esses destinos que não fazem preços em euros, [tornam-se] mais baratos para os europeus que mais viajam, nomeadamente ingleses e alemães. Os destinos que fazem preços em euros – Portugal, Espanha e Grécia – sentem essa concorrência mais forte”. No caso dos destinos de cidade, diz, “continua uma procura forte”. O Porto deverá continuar a suscitar muito interesse por parte dos turistas, com margem para crescer. Já a capital tem uma “impossibilidade física” de receber muito mais pessoas do que as que tem recebido, uma vez que o aeroporto de Lisboa, principal porta de entrada, tem a sua capacidade esgotada, devendo atingir os 29 milhões de passageiros em 2018.

Os hotéis Nau, cuja maioria da sua oferta está no Algarve, não esquecem também os efeitos que o brexit pode representar para o turismo. O mercado britânico é o maior emissor de turistas para Portugal e com a decisão de Londres de sair da União Europeia (UE), a libra tem vindo a desvalorizar face ao euro, o que se traduz numa perda de poder de compra para os britânicos. “O setor do turismo em Portugal vai enfrentar algumas ameaças em 2019, provenientes da concorrência de destinos da bacia sul do Mediterrâneo e do seu efeito potencialmente negativo nos preços de outros concorrentes que poderá ter como efeito uma redução de preços também em Portugal. A situação no Reino Unido deve igualmente preocupar-nos a todos. A indefinição quanto ao brexit está a ter efeitos nos consumidores e a atrasar as decisões de reservas. Uma saída do Reino Unido da UE sem acordo poderá ter consequências catastróficas na economia, em especial no setor das viagens e turismo”, admite fonte oficial.

A Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) – um dos destinos preferidos dos britânicos em Portugal – partilha destes receios e sublinha que “temos que apostar mais no chamado independent traveller aproveitando a nosso favor o facto de termos ligações diretas às principais capitais e cidades europeias do Centro e Norte da Europa”.

Elidérico Viegas acredita que o destino Algarve vai ter também uma evolução em 2019 semelhante aos últimos 12 meses. “As nossas expectativas não são de crescimento. Apontam para que possamos ter um ano mais ou menos idêntico a 2018, que teve uma ligeira descida nas ocupações, mas uma melhoria no volume de negócios. Não é expectável que, em 2019, o volume de negócios continue a subir mais do que as ocupações como tem acontecido. Os proveitos irão estabilizar. Haverá uma tendência para que os preços não continuem a subir mais do que sobem as taxas de ocupação como aconteceu até agora”.

António Gonçalves, administrador dos hotéis Real, sublinha os mesmos “desafios” que o setor e o Algarve podem enfrentar mas assume que “ainda temos uma componente histórica enorme para oferecer ao cliente”. “Por enquanto, ainda só oferecemos clima, sol, segurança e gente boa. Toda a história do país merece ser contada de forma turística. Sempre tivemos vergonha de ser orgulhosamente portugueses, mas corremos o mundo em 1500; está na altura de nos visitarem e perceberem como é que, nós, sendo tão pequeninos, conseguimos chegar tão longe e de como na década de 1970 conseguimos fazer uma revolução sem guerra, passar de uma ditadura para uma democracia de forma tão tranquila e, assim, perceber esta forma de ser tão portuguesa”.

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