Casamentos

Turismo com amor. De Portugal, bom vento e bom casamento

Marta Sousa, Joana Antunes, Carina Martins e Margarida Sequeira (ao lado) fundaram a Como Branco em 2010 e, dois anos depois, decidiram apostar nos casamentos de estrangeiros em Portugal.
Marta Sousa, Joana Antunes, Carina Martins e Margarida Sequeira (ao lado) fundaram a Como Branco em 2010 e, dois anos depois, decidiram apostar nos casamentos de estrangeiros em Portugal.

Cada vez mais casais estrangeiros escolhem Portugal para casar: clima, gastronomia, qualidade dos serviços e preços competitivos são algumas das causas.

Aterraram em Portugal pela terceira vez para casar. Peter Muller, suíço, foi o primeiro a conhecer o país: passou o verão de 2009 a trabalhar num surf camp em Esmoriz. Em 2011, voltou e coincidiu com Emily, neozelandesa, professora de yoga no surf camp. Apaixonaram-se. Em 2014 voltaram para casar.

“Escolhemos Esmoriz porque foi a praia onde nos apaixonámos. Tínhamos a certeza de que conseguiríamos organizar um casamento divertido, simples e relaxado, sem ser num sítio muito turístico mas que estivesse perto dos nossos corações. Portugal é um país onde as famílias poderiam chegar com facilidade”, conta Emily, por e-mail, ao Dinheiro Vivo.

Em Esmoriz, numa casa em frente à praia, juntaram e alojaram cerca de cem convidados de 12 países diferentes. “Planear o casamento a partir da Nova Zelândia e sem falar português foi um desafio. Houve momentos em que um wedding planner ter-nos-ia salvo muito tempo. Mas quisemos criar um casamento que nos retratasse enquanto casal. Ajudaram-nos os amigos de Esmoriz, os donos da casa e os nossos convidados, à medida que iam chegando”, conta Emily.

Mas se, no caso da neozelandesa e do suíço, ambos já conheciam Portugal, há noivos que pisam pela primeira vez o nosso país para casar. “Trabalho no fuso horário das minhas noivas. Quando aqui é meia-noite, no Brasil são 20h00. E se é a essa hora que a Simone, a minha noiva brasileira, pode falar comigo, é a essa hora que falo com ela”, descreve Carina Martins, wedding planner.

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Em 2010, com as sócias Marta Sousa, Joana Antunes e Margarida Sequeira fundou a Como Branco, um projeto que começou com a organização do seu próprio casamento. Na altura, juntaram-se para tratar de todo o material gráfico para o casamento. Da experiência, surgiu a ideia de criar um coletivo criativo e de design que tratasse da organização de eventos. Dois anos depois, a empresa decidiu direcionar a estratégia a um mercado pouco explorado com potencial: destination weddings.

No ano passado, dos 15 casamentos que ajudaram a organizar, dez foram entre estrangeiros. Com um número de convidados, em média, inferior ao de um casamento entre portugueses, os estrangeiros gastam a partir de 15 mil euros na comemoração, com estada e copo-de-água incluídos. Muitas vezes, a festa prolonga-se: há até empresas que planeiam programas turísticos pós-casamento para os noivos e os seus convidados. O limite de preço depende da vontade dos noivos: no ano passado, a Como Branco organizou um casamento que custou 100 mil euros: na festa, viam-se sobretudo flores. Aos milhares.

“Os estrangeiros focam-se mais nos pormenores de decoração, como flores e livros de honra. Os portugueses preocupam-se mais com a comida. Muitas vezes os casais estrangeiros nem fazem prova de comida. Isso seria impensável para um casal português. Os estrangeiros casam em qualquer dia da semana e isso torna-se também muito interessante porque permite mais do que um casamento por semana“, diz Cláudia Gameiro, da Lisbon Wedding Planner.

Fundada em 2010, a empresa sempre trabalhou com o mercado internacional: no ano em que começaram a trabalhar, perceberam que o negócio do “turismo de casamentos” tinha espaço para explorar, tendo escolhido as regiões de Lisboa e Cascais para o desenvolvimento da empresa. Além dos casamentos mais personalizados (custam 50 mil euros, em média), a empresa oferece ao mercado internacional pacotes de casamento que custam entre os 10 e os 15 mil euros.

O modelo não dava para Alicia: em setembro, a noiva australiana da Como Branco, aterra pela primeira vez em Portugal e põe-se a caminho de Óbidos, um dos destinos mais procurados pelos estrangeiros que decidem casar no país. A Pousada do Castelo da vila vai estar fechada durante três dias para o casamento dos noivos que, até à data, nunca vieram a Portugal.

“Casar nos Estados Unidos ou trazer a família inteira, pagar estada, viagem e casar num hotel de luxo em Portugal sai mais barato ou ao mesmo preço do que um casamento norte-americano normal. Tem-se muito mais pelo mesmo”, assegura Susana Esteves Pinto, fundadora do projeto The Destination, um site e uma revista que dão a conhecer fornecedores portugueses que trabalham o mercado dos casamentos.

Leia mais: The Destination. Não há melhor sítio para casar do que Portugal

O aumento do mercado dos casamentos estrangeiros em Portugal pode resultar indiretamente da estratégia de promoção que o turismo tem feito nos últimos anos. No entanto, nunca fizemos um esforço para promover Portugal como destino para casar, por isso é uma consequência natural do trabalho de promoção do país como destino turístico”, analisa João Cotrim de Figueiredo, presidente do Turismo de Portugal em declarações ao Dinheiro Vivo.

Nos últimos oito anos, o número de casamentos entre estrangeiros em Portugal aumentou todos os anos. E se em 2007, de acordo com números do Ministério da Justiça, 509 dos mais de 48 mil casamentos celebrados em Portugal foram entre estrangeiros, em 2014 foram 713 casais estrangeiros a escolher Portugal para casar, que correspondem a mais de 2% dos casamentos celebrados. Um mercado que ainda é pequeno mas que vem preencher um espaço livre. “Podemos encarar estes casamentos como importantes do ponto de vista económico. (…) numa época em que o nosso mercado está a encolher – neste universo dos casamentos este é provavelmente o pior ano dos últimos cinco – há que tirar partido desse nicho”, assinala Susana.

Este ano, até 31 de maio, dos 8370 casamentos celebrados em Portugal, 263 foram entre estrangeiros (3,14%): brasileiros, ucranianos, ingleses, alemães, cabo-verdianos, italianos e irlandeses são os estrangeiros que encabeçam a lista dos que mais procuram Portugal para casar.

“Inglaterra e Irlanda são dois países pesos-pesados, muito por causa do Algarve, e escolhem Portugal pelo clima e pelo facto de as bebidas virem incluídas no catering o que, no caso dos países de origem, não acontece. Poderem viajar em companhias low cost para um sítio onde há sol, conforto e comida boa… as pessoas nem vacilam”, diz Susana, acrescentando que casar fora do país de origem tem outra vantagem: a necessidade de uma viagem funciona como um filtro muito educado de convidados.

Carin Virgílio e Patrícia Francisco, fundadoras da Glamour Algarve Weddings, escolheram esse mercado para trabalhar. Os casamentos com estrangeiros já representam 90% do negócio da empresa, fundada em fevereiro deste ano. “Tratamos de rigorosamente tudo, desde a documentação legal necessária ao alojamento de familiares, aconselhamento de fornecedores de vídeo, fotografia, música… No dia do casamento estamos presentes, a coordenar o evento de maneira a que o casal possa desfrutar do dia”, esclarece Patrícia.

O tempo conta

Os noivos que procuram Portugal são pessoas que querem algum calor ou alguma história e património, esse lado mais antigo. As pessoas são doidas por Óbidos, pelo Douro e por Sintra/Cascais. O Alentejo é menos conhecido. Para quem não quer destinos de praia e exóticos, Portugal e destinos de cidade são muitos apetecíveis”, assegura Susana Esteves Pinto.

Foi a pensar no mercado internacional que a cofundadora da Simplesmente Branco, uma plataforma agregadora de serviços relacionados com casamentos, decidiu criar este ano a plataforma online The Destination e, complementarmente, a revista online com o mesmo nome, escrita em inglês. Nas páginas virtuais da The Destination há reportagens de casamentos em que participam alguns dos 40 parceiros do projeto, anúncios de empresas especializadas e até produções que sirvam de inspiração aos futuros noivos. “A comida é boa, o clima é bom, é perto de tudo. Portugal é um país minúsculo com uma variedade imensa de opções. Para a qualidade que temos neste mercado, estamos em pé de igualdade com ingleses, italianos, entre outros, e provavelmente com preços mais competitivos. Não falta nada a Portugal para ser um destino de casamentos por excelência.”

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