Turismo

Turismo vai crescer em 2017. Lisboa já “parle français”

Fotografia: Margarida Ramos/ Global Imagens
Fotografia: Margarida Ramos/ Global Imagens

Em 2016, os franceses destronaram os espanhóis do primeiro lugar de mercados externos do turismo que visita a região tutelada pela ATL.

Cerca de meio milhão de franceses terá visitado a região de Lisboa durante os primeiros 10 meses de 2016, de acordo Associação de Turismo de Lisboa (ATL) e com base nos dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), destronando assim os espanhóis do primeiro lugar dos mercados externos que mais visitam a região.

O aumento de 17,1% nas dormidas daquela nacionalidade (cerca de 1,35 milhões) confirma a evolução do destino não só no segmento “city break”, mas também como um destino “culturalmente apelativo e vibrante”, que a diretora executiva da ATL, Paula Oliveira, acredita que permitirá manterá o crescimento do destino em 2017.

Veja ainda: 20 locais em Portugal que tem de visitar antes de morrer

O que significa para Lisboa este aumento do interesse por parte dos turistas franceses?

Este mercado sempre foi prioritário para Lisboa e esteve sempre no top 5 dos mercados externos mais importantes. Mas só começou a subir desde há três anos: entre 2013 e 2014 houve uma variação de 30% nas dormidas. Este ano, pela primeira vez, recebemos mais franceses do que espanhóis e isso resulta não só do aumento das ligações aéreas para França, mas também de uma imagem mais cosmopolita do destino.

E também há mais turismo residencial francês, não é verdade?

Além destes hóspedes em hotelaria, também há um fenómeno de compra de imóveis em Lisboa por parte de franceses devido a uma vantagem fiscal que o governo francês atribui a quem passa menos de seis meses do ano em França. E os franceses descobriram que, aqui, têm cidade, praia, golfe, oferta cultural, tudo a pouca distância.

Para ajudar, lançaram o guia em francês?

O guia Follow Me Lisboa já existia em espanhol e em inglês, mas, de facto, face a este grande salto do mercado francês fazia falta uma versão em francês, até porque sabemos que, apesar de o inglês ser uma língua quase universal, há nacionalidades que não se predispõem tanto ao inglês.

Os associados da ATL estão preparados para atender em francês?

Julgo que sim. Os hotéis e os restaurantes estão bem preparados, até porque ainda há muitos profissionais do tempo em que o francês era mais aprendido nas escolas do que o inglês. E temos muitos emigrantes que falam muito francês e o trazem para cá.

Além desse reforço da aposta no mercado francês, que estratégias tem a ATL para 2017?

Vamos manter a nossa estratégia base que assenta em dois pilares: a comercialização e a internacionalização. A comercialização assenta cada vez mais na promoção digital, seja junto de operadores nacionais, seja junto de operadores internacionais. No que respeita à internacionalização, mais do que participar em feiras, vamos manter as agências que temos desde 1999 em seis mercados prioritários e as visitas de centenas de jornalistas que, anualmente, trazemos ao destino. No caso do golfe, como é um segmento com uma clientela própria, timings próprios e uma comercialização própria, as «press trips» são trabalhadas à parte e também participamos na maior feira do setor.

Estamos, ainda, a apostar na “reengenharia” de produto e a acompanhar novos projetos vocacionados para o turismo que vão desde as obras no Pavilhão Carlos Lopes, cujo objetivo é atrair mais eventos para a cidade, até ao desenvolvimento do Museu Judaico, em Alfama.

O golfe é um segmento importante para a região?

Temos excelentes campos de golfe, quase 20 só na nossa área, o que já constitui uma massa crítica muito interessante porque os jogadores gostam de fazer vários campos, como sabe. E o nosso clima permite jogar praticamente durante todo o ano, o que é muito importante para os ingleses que, em outubro, já têm os campos deles cheios de lama. Em termos de desempenho, os campos de golfe da região têm vindo a esbater a diferença para os campos do Algarve.

Os cruzeiros também trouxeram mais turistas a Lisboa em 2016. E em 2017, o que está previsto?

Vão correr lindamente. Os cruzeiros são outra mais-valia para a cidade porque param mesmo no centro e têm vindo a subir, ano após ano, para mais de meio milhão de turistas desembarcados. Ficam menos de um dia, mas são muito importantes para o comércio, a restauração, os museus. Este ano, prevejo que aumentem 5%, até porque vamos ter o novo terminal de cruzeiros, que vai permitir a paragem de cinco navios em simultâneo.

A seguir aos turistas de congressos, os turistas de cruzeiros são os que mais dinheiro deixam nos destinos…

Sim, mas acima de tudo não convém termos mono produtos, nem mono segmentos, porque temos visto no Mundo que basta acontecer alguma coisa e fica tudo arrumado. As cidades, além dos city breaks, têm de criar experiências. E acho que Lisboa tem conseguido fazê-lo bem.

A nível de eventos, o que Lisboa deve esperar para 2017?

O Web Summit vai continuar a ser o maior evento da cidade, não só em 2017, como provavelmente durante os dois anos seguintes que já estão garantidos. É claro que, apesar de ter trazido tanta gente e o retorno para a hotelaria não ter sido o que alguns esperavam, este evento não é como um congresso médico normal. Colocou-nos no mapa em eventos digitais e abriu novas perspetivas de negócios, ao apresentar o destino a empreendedores que podem estabelecer empresas em Lisboa ou vir de férias mais tarde.

Para este ano, temos marcados 45 eventos de dimensão ICCA (International Congress and Convention Association, que contabiliza os eventos internacionais organizados regularmente e em mais de três países por associações e com mais de 50 participantes). E temos 52 eventos candidatos a apoios no valor de cerca de um milhão de euros do Fundo de Captação de Congressos Internacionais para Portugal para vários anos – entre 2017 e 2023.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Imagem de 2016 sobre as filas no atendimento para obter o passe do Metro, esta tarde na estação do Campo Grande em Lisboa. 
( Pedro Rocha / Global Imagens )

Passe Família já pode ser pedido. Mas prepare-se para a burocracia

Imagem de 2016 sobre as filas no atendimento para obter o passe do Metro, esta tarde na estação do Campo Grande em Lisboa. 
( Pedro Rocha / Global Imagens )

Passe Família já pode ser pedido. Mas prepare-se para a burocracia

Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

Programa Regressar arranca. Governo dá incentivo até 6500 euros a emigrantes

Outros conteúdos GMG
Turismo vai crescer em 2017. Lisboa já “parle français”