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Turismo vende lá fora alternativas à Portela

Aviões no Aeroporto da Portela. Aviação comercial. Avião da Ibéria.
Aviões no Aeroporto da Portela. Aviação comercial. Avião da Ibéria.

Operadores e companhias aéreas mostram preocupação em relação à capacidade do principal aeroporto do País.

Agentes e operadores não escondem a preocupação com o esgotamento do aeroporto de Lisboa. O Turismo de Portugal não negoceia rotas, nem capta companhias aéreas, mas a realidade está a falar mais alto: nos últimos tempos tem sido um importante interlocutor entre os vários players do turismo, apresentando alternativas à Portela.

“Quando temos um aeroporto de Lisboa que recebe mais de 50% dos passageiros que vêm para Portugal, e que tem constrangimentos ao nível da acessibilidade, nomeadamente nos horários críticos que são aqueles que permitem fazer ligações, obviamente que isso limita a competitividade de Lisboa para atrair mais voos. Há aí um papel nosso de mostrar que os outros destinos também são alternativa, que existe potencial e que pode ser usado, e que voar para esses destinos pode ser um sucesso”, disse ao Dinheiro Vivo, Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, que tem sido confrontado com algumas preocupações de quem quer voar mais e não consegue. “É essa a principal preocupação, mas em breve vai ser resolvida”, assegura.

No ano passado, os aeroportos portugueses receberam 55 milhões de passageiros. Só o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, acolheu 29 milhões de pessoas. No Porto, o número de turistas não chegou aos 12 milhões, ainda assim foi o aeroporto nacional que registou o maior crescimento.
Além da ponte-aérea que liga Lisboa e Porto, também os comboios da CP são cada vez mais utilizados pelos estrangeiros que querem conhecer as várias regiões. É esse fator que o Turismo de Portugal já está a potenciar. “O facto de termos a segunda melhor rede rodoviária da Europa também pesa e o facto de existir facilidade do ponto de vista de mobilidade interna também. Tudo isso conta. E tudo isso são argumentos que usamos e utilizamos para estimular que haja uma presença nos aeroportos fora de Lisboa”.

Esta estratégia até já está a dar frutos. Em Faro, a sazonalidade tem vindo a reduzir-se, beneficiando da estratégia de dinamização de atividades como cycling & walking ou birdwatching, que atraem turistas para lá dos meses de verão. No ano passado, só em outubro, este aeroporto recebeu mais passageiros do que em agosto de 2015. Passaram por ali, só nesse mês, mais de 900 mil viajantes.

“É utilizar os argumentos que temos hoje para dizer que o nosso País é diverso e próximo. O aeroporto do Porto está aquém da capacidade e da atratividade da cidade e da região Norte. Há uma facilidade de ligação com o resto do País, da mesma maneira que existe em Faro ou Lisboa. Hoje é muito mais fácil; há mais conhecimento sobre aquilo que o País é e isso obviamente ajuda a passar a mensagem.

Em todo o caso, Luís Araújo sublinha que a dinamização dos outros aeroportos não é apenas consequência de Lisboa estar no limite da capacidade. “O valor daqueles destinos existe por mérito próprio e, por acréscimo, há a possibilidade de chegar a outros destinos facilmente. Há um mix dos dois que é muito importante balancear, e que se está a conseguir fazer”.

Como evitar a perda de turistas na capital? “Há constrangimentos com os quais não podemos lutar, é impossível criar um aeroporto de um dia para o outro. Se me perguntarem se a decisão já devia ter sido tomada há anos, acho que isso é uma conclusão a que já todos chegámos. O importante é planificarmos o futuro e pensarmos como é que vai ser. Esse sim é um trabalho importante de todos; públicos e privados”.

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