Alojamento local

“Turistas que ficam em Alojamento Local têm mais poder de compra”

(Fábio Poço/Global Imagens)
(Fábio Poço/Global Imagens)

"Tensões e desafios" do alojamento local foram hoje debatidos em conferência na Gulbenkian.

Turista que escolhe o alojamento local é o mesmo que viaja em low cost? A associação é feita “muitas vezes e de forma errada”, diz Mafalda Patuleia. Na verdade, há estudos que comprovam o contrário. A conclusão foi apresentada esta quinta-feira num debate sobre os desafios do Alojamento Local (AL) em Portugal, organizado pela Ordem dos Advogados.

Segundo Mafalda Patuleia, diretora do departamento de Turismo da Universidade Lusófona, está provado que “as pessoas que optam por ficar alojadas em AL são as que têm mais capacidade financeira e não podem ser associadas aos voos em companhias low cost“. A responsável mencionou inclusive a existência de estudos que demonstram que as companhias de aviação de baixo custo são escolhidas por “turistas que ficam em hotéis de cinco estrelas”.

A especialista sublinhou que “o turista com capacidade de compra procura uma experiência com autenticidade”, estando este frequentemente ligado aos alojamentos temporários, como guesthouses e hotéis boutique.

Na abertura do debate Mafalda Patuleia relembrou as conclusões de um estudo que a Universidade Lusófona, em conjunto com a Homeaway, apresentou no final do ano passado. O barómetro, que será publicado todos os anos, teve apenas em conta os turistas residentes em Portugal e concluiu que em 2018 o AL terá gerado um impacto económico na ordem dos 412 milhões de euros, tendo sido a escolha de 1,7 milhões de hóspedes.

O estudo inquiriu cerca de 400 pessoas que entre agosto de 2016 e 2018 ficaram alojadas pelo menos uma vez num estabelecimento de AL. Destes, 42% optaram por apartamentos e 28% preferiram dormir em hostels. O preço, a localização e a comodidade foram as razões mais apontadas para a escolha deste tipo de acomodação em detrimento de hotéis. A média dos gastos só com o alojamento rondou os 354 euros. Os gastos totais com a experiência ultrapassaram os 730 euros. A estadia média foi de 4,6 noites.
No final a responsável destacou que em Portugal “não há turismo nem turistas a mais. Existe sim uma concentração territorial e temporal” de visitantes no país, nomeadamente em Lisboa e no Porto.

A opinião foi corroborada pela representante no debate da Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (AHPORT). Isabel Tavares de Oliveira destacou que o alojamento local não é um fenómeno novo, apenas se “transformou nos últimos anos para se adaptar à procura”. A responsável afirma que o AL tem causado uma “agitação desproporcional ao seu peso na comunicação social e na política”.

A conferência foi organizada pela Ordem dos Advogados, que esteve representada pelo fiscalista António Scwalbach. O especialista considerou que apesar das “demasiadas alterações fiscais que aconteceram num curto espaço de tempo”, o Alojamento Local ainda é uma atividade económica vantajosa. “As regras de tributação são mais favoráveis do que em relação aos restantes rendimentos prediais, nomeadamente face ao arrendamento puro e duro”, salientou o fiscalista.

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