Salários

UGT acusa Governo de dar mau exemplo aos patrões do privado

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
O secretário-geral da UGT, Carlos Silva. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Central sindical diz que subida de 0,3% na função pública está a levar Brisa, EDP e bancos a proporem aumentos igualmente baixos.

A UGT acusou esta sexta-feira o Governo de dar um mau exemplo aos patrões do setor privado, ao aplicar aumentos de 0,3% na Administração Pública, sem negociação efetiva, o que enfraquece as posições sindicais.

“A UGT assinala como negativo o espectro que paira sobre as discussões em concertação social, resultante da proposta de aumentos salariais de 0,3% para a Administração Pública para 2020, e até sobre as intenções do Governo de aumentos para 2021 e anos seguintes, não querendo ir além da inflação, numa decisão unilateral do Governo, à margem de qualquer processo negocial efetivo”, afirma a central sindical numa resolução aprovada pelo Secretariado Nacional da UGT.

No documento, a UGT defende que “o Governo não pode dar mau exemplo aos privados” e considera que as propostas de aumentos salariais para a Administração Pública, para 2020, são “ridículas e ofensivas, denotando uma clara desvalorização do trabalho, dos trabalhadores e das carreiras da A.P.”.

“A UGT sempre afirmou, esta posição tem vindo a repercutir-se no setor privado, enfraquecendo as posições sindicais, conforme vêm comprovar as propostas iniciais – altamente ofensivas para os trabalhadores – de algumas empresas e setores altamente lucrativos, nomeadamente na Brisa (0,3%), na EDP (0,2%) e na negociação do Acordo Colectivo de Trabalho do Sector Bancário (0,2%)”, refere a resolução aprovada.

Para a central sindical, o processo da Administração Pública foi “um verdadeiro embuste e simulacro negocial”, que resultou em “aumentos salariais irrisórios e numa proposta de calendarização de um processo negocial plurianual de algumas matérias, sem que no entanto seja dada qualquer indicação quanto à janela temporal em que se pretende que se desenvolva”.

Na resolução, a UGT lembra ainda que o Governo lançou em novembro um desafio à concertação social, sobre os rendimentos dos trabalhadores portugueses, mas que nada avançou ainda de concreto.

“Nesse sentido, e conforme dissemos desde a primeira hora, nomeadamente na Política Reivindicativa da UGT 2019-2020, os salários e a fiscalidade devem ser a força motriz de um possível Acordo, pelo que entendemos que, neste processo negocial, devem ser tratados, primordialmente, os temas da valorização dos salários, da fiscalidade sobre os rendimentos do trabalho e da valorização dos Jovens Qualificados”, defende a central.

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