Coronavírus

UGT e parceiros sociais europeus pedem coronabonds a Bruxelas

Carlos Silva secretário-geral da UGT.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
Carlos Silva secretário-geral da UGT. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Estrutura europeia a que pertence a UGT avisa Bruxelas que sem instrumento rápido serão destruídos milhares de empregos.

“É necessário que as autoridades ajam de forma coordenada e ativa para apoiar a economia nesta situação sem precedentes.” E por isso a UGT e os parceiros sociais europeus juntam-se ao movimento que pede a Bruxelas que emita coronabonds, como forma de amaciar o impacto económico da crise do novo coronavírus.

Numa carta enviada hoje ao primeiro-ministro, António Costa, com conhecimento ao Presidente da República e ao ministro das Finanças, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, vinca o seu apoio ao pedido do governo, no quadro do Eurogrupo, de coronabonds. A estrutura destaca ainda como positivo o pedido à Comissão Europeia para que seja adiado o calendário normal do semestre europeu.

A UGT expressa o seu apoio às medidas tomadas a nível nacional e europeu para fazer face à emergência da propagação do coronavírus e para controlar os impactos na saúde pública e na economia”, sublinha Carlos Silva. “Não poderemos aceitar que os custos desta crise, que provavelmente será mais grave do que a de 2008, recaiam sobretudo sobre os trabalhadores, nem poderemos aceitar o regresso da austeridade”, acrescenta na referida carta.

Também esta manhã, António Costa e outros oito líderes de países europeus haviam enviado uma carta ao presidente do Conselho Europeu a reclamar a implementação de um instrumento europeu comum de emissão de dívida para enfrentar a crise provocada pela covid-19. De acordo com os oito líderes europeus, tal instrumento asseguraria “um financiamento a longo prazo estável para as políticas necessárias para fazer face aos danos causados por esta pandemia”, nas mesmas condições para todos os Estados-membros. (Leia mais aqui)

Simultaneamente, a UGT informa ter subscrito a Declaração dos Parceiros Sociais Europeus ETUC-CES, BussinessEurope, CEEP, SMEUnited sobre a emergência da Covid-19 (que enviamos em anexo). Nessa posição, as estruturas europeias juntam-se para reforçar a mesma ideia: é preciso instrumentos capazes de dissolver os efeitos económicos desta crise.

“Apoiamos fortemente a ideia de se emitir instrumentos de dívida comuns, como os ditos coronabonds, de forma a apoiar os meios de resseguro europeu para garantir resposta à altura do desemprego expectável. Não há mais nenhuma opção capaz de financiar estas soluções que levante dinheiro suficiente para que se torne verdadeiramente operacional.”

A estrutura europeia diz-se ainda “muito desapontada” com os resultados do encontro do Eurogrupo de ontem, em que a opção não foi considerada. “Pedimos assim, em nome dos 45 milhões de trabalhadores que representamos, que tomem uma atitude no Conselho Europeu de amanhã, de forma a convencer os Estados-membros a avançar com esta decisão”, vincam. “A crise está a crescer e não há tempo a perder. Há que tomar responsabilidade para pôr em ação medidas capazes de prevenir uma recessão massiva e evitar que milhões de empregos sejam destruídos.”

Na carta enviada aos líderes europeus – Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão, e Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, assinada por Luca Visentini, secretário-geral da ETUC, os parceiros sociais europeus acreditam mesmo que se não se tomarem medidas urgentes e capazes de fazer face aos efeitos desta crise, a Europa entrará num buraco do qual levará décadas a conseguir sair.

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