Um milhão em risco de pobreza no Norte e Centro

Rendimento líquido dos nortenhos está 421 euros abaixo da mediana nacional

Mais de 1,7 milhões de portugueses estavam em risco de pobreza em 2017. Mais de 60% concentravam-se nas regiões Norte e Centro: mais de um milhão de portugueses. A Grande Lisboa foi a única região com uma taxa de risco de pobreza (12,3%) inferior à média do país (17,3%) e onde o rendimento mediano foi superior à mediana nacional em cerca de 1600€, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

“Diferentes padrões de especialização das regiões e assimetrias ao nível da formação” são as razões que explicam este volume de pessoas em risco de pobreza na região Norte e Centro, considera Óscar Afonso. “Em Lisboa temos uma concentração de serviços públicos, com rendimentos acima da média, enquanto no Norte e Centro temos empresas muito evoluídas, mas também outras muito tradicionais, pouco produtivas e onde existe uma maior informalidade”, justifica o docente da Faculdade de Economia do Porto. Níveis de formação mais baixos, aumentam a precaridade, resultam em pensões mais baixas e “em maior risco de exposição à pobreza”, conclui Óscar Afonso.

Governo assinala

Em 2017, segundo INE, a taxa de risco de pobreza do país era de 17,3%, menos um ponto percentual (pp) do que face a 2016 e menos 2,2 pp em relação a 2013, quando a taxa se situava nos 19,5%. “O que significa que em 2017 existiam menos 253 mil pessoas em risco de pobreza monetária do que em 2013”, destacou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social em comunicado. Os dados revelados pelo INE “recuperam os valores de 2010, melhor ano da série”, refere o ministério de Vieira da Silva.

A Grande Lisboa foi a única região com uma taxa abaixo deste valor nacional (menos 5 pp), com o Alentejo a ter o segundo melhor resultado (16,9%). Norte e Centro registam uma taxa de 18,6%, bem como o Algarve. Açores (31,6%) e Madeira (27,5%) são as regiões onde o risco de pobreza é maior.

A mediana de rendimentos líquidos dos portugueses em 2017 foi de 9346€ anuais, o que corresponde a um limiar de pobreza de 5607€ (467€ por mês), mais 3% do que no ano anterior. Mais uma vez, apenas a Grande Lisboa registou um rendimento mediano (10 943€ anuais) superior à mediana nacional: mais 1597€. A Norte o rendimento mediano está abaixo 421€ da mediana nacional, e no Centro são 279€. Açores (7517€) e Madeira (8326€) são as regiões com o pior rendimento mediano, estando abaixo do valor nacional, em 1829€ e 1020€, respetivamente.

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