Economia

Um próspero Ano Novo? Veja onde estão os principais riscos em 2019

(REUTERS/Toby Melville)
(REUTERS/Toby Melville)

A Europa vê um mapa de riscos concentrados na primeira metade do ano: brexit, ascensão do populismo em Estrasburgo e tarifas à venda de automóveis.

O principal foco de tensão mundial vai continuar a ser a relação Washington-Pequim, mas a concentração de riscos em território europeu fica particularmente densa em 2019. O brexit, a sucessão política na Alemanha, a situação económica e fiscal de Itália e um eventual resultado das eleições europeias que favoreça grupos eurocéticos juntam-se à normalização da política monetária do Banco Central Europeu e a outros riscos globais.

O ponto mais crítico do calendário da Europa está a três meses de distância, junto a 29 de março, com a saída do Reino Unido da União Europeia – a quente ou a frio, mas com cada vez mais países a fazerem contas a uma despedida sem acordo de transição com Bruxelas. Para Portugal, a decisão de Londres já estará a estancar o turismo de origem britânica, mas no comércio a expetativa é que as exportações portuguesas possam cair até 26%, segundo um estudo da Confederação Empresarial Portuguesa (CIP).

As perspetivas económicas para a zona euro têm sido revistas em baixa. O BCE vê um crescimento de apenas 1,7% no próximo ano. A Fitch, com previsões em linha com o banco no final de novembro, viu Espanha (2,2%) e Itália (0,8%) como os países que mais atrapalham o crescimento no grupo do moeda única. Mas, mesmo com um acordo com a Comissão Europeia que evita procedimentos disciplinares por conta do orçamento do país, Itália pode ainda arriscar no próximo ano uma recessão, segundo o Goldman Sachs. O banco de investimento espera por agora um crescimento de apenas 0,4% para a economia italiana.

Para a consultora ControlRisks, a União Europeia oferece no próximo ano “mais perguntas que respostas”, com desafios internos e externos de monta. Depois de março, maio será mais um mês decisivo num ano que promete ser uma longa prova de barreiras para a União Europeia. “O crescimento continuado do populismo, ajudado por crescente insatisfação pública com o sistema político tradicional, irá provavelmente refletir-se nas eleições para o Parlamento Europeu em maio”, escreve Aleksandra Szylkiewicz, analista.

Os riscos regionais colocarão a União Europeia com menor capacidade interna de gerir a sua atuação externa, escreve a Control Risks. O grupo pode ficar assim mais vulnerável às oscilações de fortuna da economia mundial. E o impacto será também para a sua capacidade negocial no quadro da guerra comercial em que, além da China, os Estados Unidos têm também exigências para com Bruxelas.

É em meados de fevereiro que o Departamento do Comércio norte-americano decide se a importação de carros e componentes automóveis pelos EUA constituiu uma ameaça à segurança nacional, tendo depois até 90 dias para adotar medidas em linha com a conclusão. Está na linha de fogo um volume de exportações europeias no valor de 50 mil milhões de dólares.

O confronto Washington-Pequim – risco cimeiro nos alertas para 2019 – segue período de tréguas até fevereiro, com o antagonismo das duas maiores economias do mundo a fazer já mossa nas previsões de crescimento do próximo ano (3,7%) com base na estimativa de redução dos fluxos comerciais. Mas as implicações do subtexto geopolítico deste conflito criam também maior incerteza no contexto empresarial, com EUA e China a procurarem limitar a ação de empresas do país rival. Inclusivamente, na Europa.

No comércio externo, a União Europeia enfrenta ainda os riscos do abrandamento económico da China (para 6,2%, segundo o Banco Mundial) país do qual é o maior parceiro comercial. No comércio internacional, as importações chinesas têm vindo a abrandar mais significativamente que as exportações. Em novembro, as compras pela China ao exterior subiam apenas 3% (20,8% em outubro).

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