Coronavírus

Só 24% das empresas pretende contratar em 2021

Fotografia: Gonçalo Delgado/Global Imagens
Fotografia: Gonçalo Delgado/Global Imagens

Barómetro Kaizen de junho indica que 40% dos gestores pretendem manter o número de trabalhadores e que 36% admite reduzi-lo

A maioria dos empresários inquiridos pelo Barómetro Kaizen (64%) afirma que planeia manter ou aumentar o número de colaboradores em 2021. De acordo com a edição de junho deste estudo, 40% dos gestores estimam manter a atual força de trabalho durante o próximo ano e 24% admite que haja um crescimento no número de trabalhadores. Em contrapartida, 36% dos empresários acreditam que o seu número de funcionários em 2021 será menor do que atualmente.

A edição de junho do Barómetro Kaizen inquiriu perto de 230 gestores de empresas que representam, no seu conjunto, mais de 35% do produto interno bruto nacional, um inquérito “de continuidade” face ao Barómetro Especial Covid-19 de abril, dado que “continua a aferir a realidade empresarial neste contexto extraordinário”, refere o Kaizen Institute Consulting Group em nota à imprensa.

Quanto ao grau de confiança dos gestores, e numa escala de 0 a 20, a edição de junho do barómetro mostra uma subida significativa deste indicador, que passou de 8,4 em abril, em pleno estado de emergência, para 10,4 atualmente. Mantém-se, no entanto, bastante abaixo do valor do inquérito de fevereiro, quando estava nos 12,1 valores.

Cerca de metade dos participantes (46%) consideram que a sua empresa poderá retomar o nível de atividade pré Covid-19 até ao final do próximo ano, enquanto 24% dos inquiridos consideram que tal só deverá acontecer entre 2022 e 2023. Mas há 20% dos gestores a acreditar que o conseguirão fazer ainda este ano.

Sobre as vendas das empresas, 43% dos inquiridos relatam ter registado, em maio, uma faturação 5 a 25% abaixo do orçamentado. Em 23% das empresas, as vendas situaram-se entre 25% e 50% abaixo do previsto e em 12% dos casos a quebra foi mesmo superior a 50%. Mas há 15% de empresas em que a faturação obtida em maio correspondeu às expectativas. Não admira, por isso, que apenas 17% dos inquiridos diga que não reduziu custos. Dos que cortaram, 35% cortaram despesas em menos de 10% e outros 35% tiveram que ajustar os gastos com reduções de até 30%.

Apesar de tudo, 43% dos gestores dizem que mantêm os investimentos previstos para os próximos 12 meses, 10 pontos percentuais acima dos que dizem ter colocado os planos em stand by. A maioria, 49% dos inquiridos, assume que terá de rever a estratégia da organização para os próximos três a cinco anos, a que se somam os 30% que estão a equacionar essa possibilidade.

“A pandemia trouxe aos gestores uma maior consciência sobre a importância da estratégia, e o seu reflexo na construção de uma cultura organizacional sólida, na melhoria dos processos e da produtividade, que sustentam uma empresa forte, resiliente e rápida na resposta às crises. A velocidade de alteração dos padrões de consumo, e a necessidade de adaptação e reinvenção perante novas variáveis que surgiram durante este período reforçaram a importância de se ter a inovação como um dos pilares do desenvolvimento organizacional. É muito interessante que a inovação (no âmbito do modelo de negócio, da tecnologia, e do processo e produto/serviço) seja identificada como principal objetivo estratégico por 81% dos inquiridos”, refere António Costa, responsável do Kaizen Institute Western Europe.

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