Mercado de Trabalho

Um quarto dos estrangeiros a trabalhar em Portugal são ‘não-qualificados’

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Multinacionais já estão a atrair quadros com maior formação. Mas cenário não deverá alterar-se nos próximos anos

No ano passado, mais de um quarto dos estrangeiros a trabalhar em Portugal tinham profissões não qualificadas. Num mercado laboral composto por 103 mil trabalhadores sem cidadania portuguesa – 2,2% do emprego em Portugal -, o número de indiferenciados já tocava perto das 30 mil pessoas.

Face a 2015, verificou-se “um ligeiro crescimento dos trabalhadores estrangeiros classificados como ‘trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança’ e ‘trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices’ (1,7% e 1,3%)”. Mas formações em ciência e ou atividades intelectuais só valem 8,9% desta força de trabalho estrangeira, e caiu ligeiramente no ano passado, mostra o Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho.

A chegada de muitas multinacionais a Portugal pode mudar o cenário, assumem as agências de recrutamento. “Portugal é um país que funciona muito bem para um conjunto de multinacionais que expatriam trabalhadores para cargos de relevo quase como desafio para testar o seu potencial”, refere Nuno Troni, diretor da Randstad Professionals, admitindo que a herança da imigração passada, com baixos salários e formação básica acabará por diluir-se.

“No futuro – talvez daqui a dez anos – vamos ter um mercado verdadeiramente global com colegas qualificados vindos de todo o mundo. Tendencialmente isto também passará pela Ásia pela pressão demográfica que se faz sentir”, acrescenta.

“Portugal é hoje em dia um destino apelativo para profissionais qualificados oriundos de diferentes países. Esta tendência (e oportunidade) está em muito relacionada com o investimento feito por diferentes multinacionais no nosso país e pelo desenvolvimento orgânico de muitas empresas já estabelecidas em Portugal”, refere por sua vez Mário Rocha, especialista em recrutamento na Hays.

“Temos o exemplo da implementação e crescimento de vários Centros de Serviços Partilhados no nosso País, fatores esses que se traduzem na necessidade de atrairmos perfis com diferentes valências linguísticas, oportunidade ótima para profissionais qualificados residentes no estrangeiro”, acrescenta.

É o caso da Mercedes que no ano passado abriu um centro de serviços especializado em Portugal, a Norte e, este ano, já abriu um novo.“Portugal tem gerado uma atratividade muito grande para os engenheiros estrangeiros que preferem Lisboa a outras capitais europeias”, adiantou recentemente Niels Kowollik, CEO da marca alemã, na Conferência Expresso do meio-dia.

Há outros fatores que podem ajudar. As Universidades nacionais estão referenciadas entre as melhores da Europa, especialmente as de gestão e negócios, e o mundo das startups já colocou Portugal como país de referência para o desenvolvimento de novos negócios.

A impulsionar o número de estrangeiros qualificados para trabalhar em Portugal está ainda o regime dos residentes não habituais que em apenas um ano cresceu 44% – passou de 7414 em 2015 para 10 684 no final do ano passado. Desde 2009 que o regime deixou de servir apenas para reformados, e acaba por constituir uma nova forma de atração de profissionais ligados a atividades de elevado valor acrescentado, e que pagam uma taxa reduzida de 20% de IRS.

Ao longo de 2016, entraram 46 921 estrangeiros em Portugal, mais nove mil do que um ano antes (+24%). A liderar as entradas estão os brasileiros (+15%) que olham para Portugal como novo destino para viver. Mas também há mais franceses, italianos, ingleses e chineses.

Entre os 103 mil estrangeiros que cá trabalham, a maioria são mulheres, a trabalhar no setor dos serviços (alojamento, restauração e retalho ocupam 30%), e com salários, na sua maioria, até 600 euros.

Nos últimos cinco anos, o número de estrangeiros a trabalhar em Portugal caiu 31,7%. Esta redução é bastante mais acentuada do que a do número de portugueses a trabalhar (-1,9%) e coincide com uma tendência de redução de cidadãos estrangeiros a viver em Portugal que já se verifica desde 2009 e que só no ano passado foi contrariada. 17% estavam desempregados.

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