Sucesso Made in Portugal

Um unicórnio na China, papel higiénico sexy e patê de algas

Lisboa, 11/12/2018 - 7º aniversário do Dinheiro Vivo : Conferência - Sucesso Made in Portugal, esta manhã a decorrer no Centro Cultural de Belém.
Rosália Amorim, Directora do Dinheiro Vivo; Antonoaldo Neves, CEO da TAP; João Carreira, Co-fundador e Chairman da Critical Software; Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova; João Miranda, CEO da Frulact; Rafic Daud, Co-fundador e CEO da Undandy; Helder Dias, VP of Engeneering da Farfetch 
(Diana Quintela/ Global Imagens)
Lisboa, 11/12/2018 - 7º aniversário do Dinheiro Vivo : Conferência - Sucesso Made in Portugal, esta manhã a decorrer no Centro Cultural de Belém. Rosália Amorim, Directora do Dinheiro Vivo; Antonoaldo Neves, CEO da TAP; João Carreira, Co-fundador e Chairman da Critical Software; Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova; João Miranda, CEO da Frulact; Rafic Daud, Co-fundador e CEO da Undandy; Helder Dias, VP of Engeneering da Farfetch (Diana Quintela/ Global Imagens)

O Dinheiro Vivo quis saber “o segredo do que vendemos lá fora” e as empresas contaram tudo: para ter sucesso é preciso investir, inovar e manter a alma.

O que têm em comum um unicórnio, uma gigante dos ares, o inventor do papel higiénico preto, a criadora do paté de algas e da citronada de chia, uma startup que faz sapatos personalizados e um ecossistema de empresas em constante mutação? A nacionalidade portuguesa, o cariz exportador e a vontade de partilhar “o segredo do que vendemos lá fora”. Este foi o tema do primeiro painel da conferência Sucesso Made in Portugal, que assinalou o 7.0 aniversário do Dinheiro Vivo, que arrancou precisamente com as lições de sucesso da “melhor e maior exportadora de Portugal”, como fez questão de frisar Antonoaldo Neves, CEO da TAP.

A primeira lição passa por continuar a investir em força: mais de dois mil milhões de euros para trazer 37 novos aviões para o país. E já se sabe, novos aviões trazem novas rotas e novos destinos, como Chicago e Washington, para onde foram vendidos dez mil bilhetes numa semana. Segundo o CEO, 79% de clientes que compram bilhetes na TAP fora do país vão para outros países que não Portugal. Conclusão? Em três mil milhões de euros de receitas anuais, 2,4 mil milhões provêm de fora. “A TAP vê as exportações como um elemento fundamental da sua existência.”

De olho noutros mercados e no crescimento em outras geografias, como a China, está também a Farfetch, que em 2015 ficou famosa como o primeiro unicórnio com ADN português, quando atingiu uma avaliação acima dos mil milhões de dólares. Em 2018 a empresa assinalou um novo marco histórico ao estrear-se na Bolsa de Nova Iorque. Hélder Dias, vice-presidente de Engenharia da Farfetch, revelou que “houve lágrimas no momento em que ouvimos tocar o sino”. Neste que foi um “ano fantástico e emocionante”, a Farfetch fez crescer exponencialmente a sua equipa tecnológica, que tem hoje 1200 pessoas, 800 das quais são engenheiros de, pelo menos, 12 nacionalidades diferentes. “Contratá-los não tem sido nada fácil, o talento está cada vez mais escasso, cada vez mais estamos a ir buscar pessoas de outras geografias e trazê-las para Portugal.” Para 2019, o objetivo é “manter trajetória de crescimento” (25% das vendas são nos EUA), garante Hélder Dias, e continuar a fazer “muito, muito, muito investimento na plataforma global de e-commerce”, além de criar uma “ponte entre as lojas online e offline”, onde 75% das compras ainda são feitas.

Na visão de João Carreira, presidente da Critical Software, também “não é nada fácil contratar nem reter talento em Portugal”, revelando que os salários dos engenheiros informáticos têm vindo a subir entre 10% e 20%, o que não ajuda. A empresa nasceu numa incubadora de startups e hoje está em todo o mundo, tendo clientes como a NASA, mas ainda assim continua a funcionar como um ecossistema de empresas “em permanente mutação”. O que explica o sucesso lá fora? Qualidade, agilidade, transparência e espírito colaborativo. “Somos mil pessoas mas temos o espírito de uma startup”, disse João Carreira.

O próximo segredo a ser desvendado prometia uma explicação complexa: como é que uma empresa portuguesa de uma área tradicional conseguiu inovar e tornar sexy internacionalmente um produto “banal” como o papel higiénico? Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova, garante que a chave foi “ser obsessivo” e manter sempre um “espírito empreendedor” dentro da empresa. “Em qualquer país onde entramos somos uma startup. E queremos manter esse espírito, juventude e capacidade de criar novos produtos e inovar.”

Quanto ao novo ícone da Renova, depois do papel higiénico preto, o CEO diz que é um fenómeno “difícil de repetir. Foi a reinvenção do papel higiénico, até aí era um não produto, não havia qualquer relação afetiva dos consumidores. Agora todos têm opinião, é um objeto de decoração, é um produto de luxo”, disse o responsável. A mais recente tentativa de inovação passa pela personalização de papel higiénico – Made by U -, que a Renova envia para todo o mundo.

Para quase todo o mundo seguem também os sapatos de homem customizados da Undandy. “Somos uma pequena sapataria que no espaço de dois anos já exporta para 140 países e está a crescer a ritmo alucinante. Qualquer pessoa numa rede social é o nosso cliente, já não é preciso esperar que passe em frente à loja”, disse o cofundador e CEO, Rafic Daud. “Somos bipolares: vivemos na internet, mas fazemos um produto altamente tradicional que não é diferente do tempo dos nossos avós.” Entre os principais mercados estão os EUA (50% das vendas), Austrália, Canadá e Reino Unido.

Também para a Frulact “as novas geografias foram uma questão de sobrevivência, porque era impensável ficar só em Portugal”, diz João Miranda, o CEO da Frulact, que produz concentrados de frutas num mercado de gigantes. Apenas 2,5% fica no país. A empresa familiar tem fábricas em Portugal, França, Marrocos, África do sul e Canadá e distingue-se pela “irreverência e pragmatismo dos acionistas”. Em dez anos investiram cem milhões de euros. A empresa está agora a entrar num novo ciclo e a diversificar, porque o “consumidor quer produtos mais autênticos”, como o paté de algas com sabor a mar, a refrescante citronada de chia ou o suave iogurte vegetal que a Frulact expôs na conferência.

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