Uma em cada quatro famílias portuguesas perdeu pelo menos 25% do rendimento em 2020

"Perda de emprego, inatividade profissional e redução salarial" são os motivos apontados pela DECO para a perda de rendimentos das famílias no ano passado. Porto, Vila Real, Setúbal e Aveiro são os distritos mais afetados.

O impacto da pandemia de covid-19 em termos económicos veio a revelar-se extremamente rigoroso para as famílias portuguesas. Uma em cada quatro famílias perdeu "grande parte" dos seus rendimentos em 2020 e duas em cada três enfrentaram dificuldades em suportar os custos inerentes ao dia a dia, revela a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) num estudo realizado com base em 4960 agregados.

"As duras decisões políticas sobre a atividade económica, com maior peso em determinados setores, arrastaram milhares de portugueses para um limite da sua capacidade financeira", sendo que esta situação foi "apenas atenuada pelos apoios do Estado", como é o caso dos regimes de lay-off ou das moratórias, aponta a Deco em comunicado enviado às redações.

"Mais de um quarto dos agregados inquiridos referiram que o seu rendimento sofreu cortes iguais ou superiores a 25%", frisa Bruno Santos, da DECO Proteste, acrescentado que "é seguro dizer que estas famílias integram o patamar dos 63% que passam dificuldades financeiras e dos 6% que enfrentam uma situação crítica".

Ainda de acordo com Bruno Santos, "estas quebras de rendimento são explicadas pela perda de emprego, a inatividade profissional e a redução salarial".

Segundo o barómetro da DECO, "31% dos agregados situam-se no campo 'conforto financeiro', mostrando facilidade em pagar as suas contas, mas não mais do que isso".

Partindo dos dados do Instituto Nacional de Estatística, no segundo trimestre de 2020, cerca de um milhão de pessoas estava a trabalhar a partir de casa, diminuindo as despesas com transporte e alimentação em restaurantes.

Quanto às despesas mais difíceis de suportar, os inquiridos apontam a educação como o maior encargo, principalmente pela necessidade de adquirir novos equipamentos para dar resposta à telescola. De acordo com os dados do barómetro, esta tendência verificou-se em todas as regiões, à exceção de Lisboa e Vale do Tejo, de acordo com os dados do Barómetro.

Enumerando, porém, as parcelas a que mais dificilmente as famílias conseguem fazer face, são os gastos com o automóvel, que ocupam o topo da lista.

As regiões mais afetadas

Segundo o mesmo estudo, Porto, Vila Real, Setúbal e Aveiro são os distritos mais afetados e onde, consequentemente, as famílias apresentam maiores dificuldades.

É ainda identificado o distrito de Vila Real como o que tem mais agregados em zona de desconforto (82%), seguido por Aveiro (79%). Em Leiria e Setúbal, as percentagens rondam também os 70%.

Contrariamente, "os distritos de Bragança, Braga, Castelo Branco e Lisboa apresentam menor sufoco financeiro", conclui a Deco.

Já no sul e nas ilhas, o Algarve e a Madeira sofreram o maior impacto nos rendimentos, nomeadamente no distrito de Faro onde as "dificuldades financeiras atingem mais de 80% das famílias". Nos Açores, o barómetro detetou dificuldades financeiras em 75% dos casos.

As atividades dependentes do turismo, quase congeladas, tiveram um papel a desempenhar no encurtamento da liquidez. Mais de 40% dos inquiridos no Algarve e na Madeira dão conta de um decréscimo do rendimento em 25% ou mais.

No Alentejo, "o cenário é um pouco melhor, mas, ainda assim, os dados são igualmente preocupantes". Em Évora, contabilizaram-se 76% de agregados em esforço.

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