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“Uma parceria Europa-China só vai funcionar se formos fortes”

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Tony Blair deixou avisos acerca do acordo de comércio e disse que “é em África que estão hoje as grandes oportunidades”.

Tony Blair, antigo primeiro-ministro britânico, foi orador em Davos. O Dinheiro Vivo acompanhou, em exclusivo, a sessão promovida pela The Economist e a Philip Morris. Às 6.40 já tinha à sua espera convidados de elite; em Davos todos os eventos começam às sete horas (menos uma hora em Portugal). Blair chamou a atenção para o perigo dos populismos e para “a desconexão entre causas como o ambiente e as ações políticas”. O antigo governante britânico, que esteve no poder por uma década, com início em 1997, incitou os líderes políticos e empresariais a “acelerar a aposta na ciência e na tecnologia para atacar as questões do ambiente”. E avisou: “Precisamos de um quadro regulatório que seja parte da solução e não só um problema.”

Para Blair, ex-líder do Partido Trabalhista de 1994 a 2007, “na política, hoje, os grandes desafios têm que ver com a forma como os políticos conseguem dar respostas globais para problemas globais, como o ambiente”. Mas, neste campeonato, muito cuidado com “os populismos, que tornam cada vez mais difícil tratar desse tema, bem como a imigração e o bem-estar mundial”.
Blair deixou outro alerta: “Uma nova abordagem social é precisa e a nova geração valoriza novos temas e vai confrontar-se com novos riscos. Além de ouvirem estes debates, têm de adaptar formas de comunicar com os mais novos e implementar soluções práticas.”

Irene Mia, diretora editorial global da The Economist Intelligence Unit, moderou a conversa e questionou: “Como se torna a agenda do progresso ambiental popular?” Blair respondeu, em tom de brincadeira: “Impopulares são os temas das nacionalizações e dos impostos, esses sim são muito difíceis de tratar.” No ambiente e na tecnologia, a resposta passa por “preparar os países, porque vivemos uma autêntica revolução. É isso que é preciso fazer”.

É necessário ainda aproximar estes assuntos dos cidadãos e apostar em tecnologia, nos negócios e no “sistema público de saúde. Os políticos têm de entender o futuro” e “têm de perceber que não se pode ser antinegócios”.

À pergunta sobre “se políticos como Macron (presidente de França) podem ser inspiradores”, voltou a usar o humor: “Não consigo nomear políticos que sejam exemplos, para não perder amigos. Mas o que Macron está a fazer é marcante. Porém, o mundo muda tão depressa que temos de mudar com ele, senão ficamos fora. O mesmo nos negócios. E, acreditem, os governos não serão a solução. No mundo ocidental têm um curto período executivo e os desafios são de longo prazo.”

Numa altura em que se discutem acordos de comércio internacional entre grandes blocos – Europa, China e EUA -, diz ainda que “uma parceria Europa-China só vai funcionar se nós [europeus] formos fortes. Não podemos estar numa posição errada na relação com a China”, com a qual, defende, a UE deve assinar um acordo nas próximas semanas. Blair falou ainda dos desafios da globalização, que “é boa, mas nunca se esqueçam de que é conduzida pelas pessoas, não pelos governos, como muitos pensam. E, assim, não dá para parar a globalização”.

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