Visita de Xi Jinping

Uma rota nova para um porto adiado

Queluz, 05/12/2018 - Visita de Estado a Portugal do Presidente da República Popular da China, Xi Jinping. António Costa, Xi Jinping

(Filipe Amorim / Global Imagens)
Queluz, 05/12/2018 - Visita de Estado a Portugal do Presidente da República Popular da China, Xi Jinping. António Costa, Xi Jinping (Filipe Amorim / Global Imagens)

Xi Jinping esteve no país chegado do canal do Panamá. Portugal espera que a viagem chinesa se complete em Sines.

Já Lisboa preparava, segunda-feira, a primeira visita ao país do líder chinês, e Xi Jinping saudava ainda a passagem de um navio da Cosco pelo canal do Panamá. A embarcação partira carregada de contentores a 1 de outubro de Qingdao, no nordeste chinês. Atravessara o Pacífico e parte do Atlântico para deter a marcha em três portos dos EUA e voltar para trás. O presidente chinês seguia em frente.

Portugal quer ser vértice no triângulo que ficou por desenhar na jornada marítima. Há já anos que o faz saber a Pequim, repetidamente. Sines, cujo novo terminal vizinho ao operado pela PSA de Singapura teima em não sair do papel, é o porto identificado para futuros investimentos. Mas a Cosco, que já assentou na Grécia, em Espanha e em Itália, até aqui não deu notícia pública de interesse – Ana Paula Vitorino, a ministra do Mar, reuniu-se em junho com a empresa para testar este interesse.

Para António Costa, o novo memorando de entendimento com a China permite a “afirmação estratégica” de Portugal.

Da visita de Xi, concluída na quarta-feira, nada transpareceu quanto ao futuro de Sines. Nada além de um memorando de entendimento de cooperação entre China e Portugal na iniciativa Faixa e Rota. É o grande projeto do atual presidente da China no mundo. Assinar o acordo permite a “afirmação estratégica do papel de Portugal na articulação da iniciativa One Belt One Road [Faixa e Rota] com o conjunto da conectividade entre a Europa e a Ásia”, disse o primeiro-ministro António Costa, no encontro com Xi Jinping.

Portugal juntou-se assim à Grécia e Hungria, na Europa, e a um grande número de países do centro e sudeste asiático que assinaram os mesmos memorandos. E afastou-se de Bruxelas que quer uma posição comum face à estratégia de corredores logísticos chinesa, e que está a desenvolver uma iniciativa de infraestruturas que concorre no mesmo espaço geográfico. Espanha, que já tem a Cosco nos seus portos, rejeitou o documento.

Uvas, I&D e renminbi

Este foi o primeiro de 17 acordos que ficaram no saldo da parceria estratégica global que China e Portugal mantêm desde 2005 após a visita de dois dias. Se as notícias de novos investimentos foram curtas para a disposição de receber capital produtivo num país habituado à compra de participações financeiras nas suas maiores empresas, o plano comercial trouxe nova abertura no agroalimentar – vencedor relativo nos anúncios feitos.

No setor agroalimentar, o país vai poder exportar uvas de mesa e também recebe investimento na área do trading.

Concluído um longo processo de licenciamentos sanitários para que exportadores portugueses de carne de porco possam vender à China, os produtores nacionais vão poder de futuro exportar uvas de mesa para o país. A estreia no mercado da fruta fica enquadrada com um acordo sobre requisitos fitossanitários a que devem obedecer as produções, assinado com o Ministério da Agricultura português. Para António Costa, foi dado um “salto em frente” nos mercados.

Ainda no comércio, a COFCO Internacional assinou com a AICEP um acordo para instalar um centro de serviços para importações e exportações de bens agroalimentares em Matosinhos, no Centro Empresarial Lionesa. A multinacional de trading, presente em 35 países, espera dar emprego a 150 funcionários (400 ao final de quatro anos de operações) em áreas que vão das tecnologias de informação ao procurement, recursos humanos e financeira.

Também foram assinados protocolos entre empresas na energia, no setor financeiro, nas telecomunicações e no aeroespacial. É neste último que se antecipa algum investimento, a afetar a investigação e desenvolvimento, com a confirmação da parceria para o laboratório Starlab. A portuguesa Tekever, com o centro de engenharia e desenvolvimento CEIIA, vai trabalhar com a Academia Chinesa de Ciências para avançar tecnologia nas áreas do mar e do espaço. Manuel Heitor, ministro da Ciência, referiu em novembro um investimento de 50 milhões de euros a cinco anos.

Na energia, REN e EDP reforçaram a relação com as estatais State Grid e China Three Gorges. No caso da EDP, na inovação, I&D e também no museu MAAT, via cooperação sobre responsabilidade social. Já a REN reforça o investimento no centro de I&D conjunto Nester, em Sacavém. Além da integração de energias renováveis na rede, as duas empresas poderão trabalhar juntas em projetos de interconexão energética entre Portugal e Marrocos.

Na banca, o Millennium bcp fechou acordo com a Unionpay para emitir cartões desta rede de pagamentos chinesa, presente em 171 países e aceite na Europa por 3,3 milhões de comerciantes. O acordo vai servir clientes que viajam entre Portugal e China em negócios e turismo. Mas o BCP fala em desenvolver mais produtos nesta parceria.

Já a Caixa Geral de Depósitos fechou um acordo com o grupo Banco da China para apoiar a emissão de divida pública portuguesa denominada em renminbi no mercado chinês. A colocação das chamadas panda bonds deverá acontecer no próximo ano.

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