União Europeia: Grandes depositantes serão chamados a contribuir em futuros resgates

Presidente do Eurogrupo
Presidente do Eurogrupo

Bruxelas admitiu hoje que as novas regras que estão a ser trabalhadas para a resolução de crises despoletadas pela banca inclui a “possibilidade” dos depositantes europeus, com quantias superiores a 100 mil euros assumirem perdas, tal como no plano arquitectado para Chipre.

No entanto, numa tentativa de reparar o estrago causado pelas declarações do presidente do eurogrupo, a porta-voz da comissão Pia Ahrenkilde afirmou que o Chipre é caso “único” e não deve ser encarado como “modelo perfeito”.

“Não se pode dizer que seja um modelo perfeito para utilizar no futuro, porque não se chegará a um acordo nas mesma circunstâncias”, afirmou Chantal Huges, porta-voz para o Mercado Interno e Serviços.

Mas, na proposta da Comissão Europeia “não se excluem os depósitos acima dos 100 mil euros, para serem considerados como instrumentos para os cortes”, assumiu a porta-voz, acrescentando que não só “não se exclui”, como é “uma possibilidade”.

O objectivo das regras que estão na fase de debate, entre o parlamento europeu e o Conselho, é “alcançar um ponto em que os contribuintes deixem de pagar pelos erros dos bancos”.

Ontem, Jeroen Dijsselbloem lançou o caos nas bolsas, menos de 24 horas após anunciar um plano de resgate para Chipre. O holandês que preside o eurogrupo foi obrigado mais tarde obrigado a inverter o discurso, dizendo que Chipre é “um caso específico, com desafios excepcionais, que requerem as medidas de autoresgate que negociámos”.

Horas antes, Jeroen Dijsselbloem tinha afirmado numa entrevista à agência Reuters que os termos do resgate, acertados na noite anterior entre as autoridades cipriotas e a troika de credores, que impões avolumados cortes nos depósitos acima dos 100 mil euros era “um modelo para resolver problemas bancários na zona euro”.

Num comunicado, de duas linhas, enviado posteriormente aos jornalistas, em Bruxelas, Jeroen Dijsselbloem corrigiu as afirmações, dizendo que “não há modelos e nem padrões”, para os diferentes programas de resgate.

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