Web Summit 2019

Unicórnio brasileiro que arrenda casas em hora e meia estuda entrada em Portugal

André Penha (QuintoAndar)

(Filipe Amorim / Global Imagens)
André Penha (QuintoAndar) (Filipe Amorim / Global Imagens)

Quinto Andar promete desburocratizar o mercado de arrendamento. Fundador admite instalar centro tecnológico em Portugal.

Começou no Quinto Andar mas quer ser a porta de entrada para milhões de inquilinos. A startup que promete arrendar casas em tempo recorde ainda só tem casa no Brasil, mas deverá ser por pouco tempo. André Penha, fundador e CTO da Quinto Andar, veio à Web Summit com o objetivo de estudar o mercado português. Em 2020, não é só o negócio da empresa que poderá chegar a Portugal. Em cima da mesa está também a abertura de um centro tecnológico.

A startup, que conquistou recentemente o estatuto de unicórnio, por já estar avaliada em mil milhões de dólares, tem cerca de mil funcionários no Brasil. Apenas 5% são estrangeiros. O maior desafio da Quinto Andar, explica André Penha, tem sido atrair talento. Por isso, instalar um centro tecnológico em Lisboa ou no Porto “faz sentido” no plano de expansão da empresa. “Tenho gostado muito do ambiente de tecnologia em Lisboa”, confessa em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Além do centro tecnológico, a missão do fundador da Quinto Andar na Web Summit é “conversar com gente de todo o mundo” para avaliar os próximos passos da startup no caminho da internacionalização. Sul da Europa ou América do Sul são as hipóteses mais prováveis. No Brasil, a Quinto Andar já arrenda casas em cerca de 30 cidades.

O modelo de negócio do unicórnio brasileiro é semelhante ao de uma imobiliária, “mas mais eficiente”, explica o fundador.

“Neste tipo de negócio, não conheço em todo o mundo uma empresa mais eficaz. Fazemos tudo online e somos dez vezes mais rápidos em comparação com a média do mercado. Em São Paulo, por exemplo, o arrendamento de um imóvel demora 40 dias, a partir do momento em que o inquilino e o senhorio decidem avançar para o contrato. Na Quinto Andar o tempo médio são quatro dias, mas o nosso recorde é uma hora e meia”.

Face ao modelo tradicional de arrendamento, a startup elimina a figura do fiador e a exigência de caução. “São coisas muito antigas que hoje não fazem sentido”. O que a empresa faz antes de efetivar um contrato é avaliar a declaração de rendimentos dos candidatos a inquilinos, através de tecnologia, para garantir que têm condições para arrendar o imóvel.

Os inquilinos pagam a renda diretamente à empresa, e não ao senhorio, o que faz com que o proprietário tenha a renda garantida todos os meses, ao dia 12. “Mesmo que o inquilino se atrase a pagar, nós asseguramos que o proprietário recebe a renda”.

Segundo o responsável, todas as partes envolvidas saem a ganhar. “Quando o proprietário regista a casa na plataforma, nós mandamos um fotógrafo. As imagens são muito transparentes e mostram às pessoas o que a casa tem de bom e de mau. Isto faz com que as visitas sejam mais filtradas, pois só vai visitar a casa quem tem mesmo intenção de ficar com ela”.

A empresa ganha dinheiro através de comissões, cobrando o valor da primeira renda e 6,9% das restantes.

Do “sofrimento” a unicórnio

André Penha admite que a Quinto Andar pode ser vista como substituta das imobiliárias tradicionais. Mas por saber que há clientes que ainda priveligiam o contacto humano, a startup está a começar um programa de parceria com imobiliárias, para que a experiência do atendimento pessoal, “que não temos nem queremos ter”, não se perca.

A Quinto Andar foi criada em 2013, e nasceu da experiência de “sofrimento” dos fundadores com o mercado de arrendamento. Antes do imobiliário, André Penha trabalhava na indústria dos videojogos, até perceber que “isso não mudava muito a vida das pessoas”. Foi estudar para o coração de Silicon Valley, em Stanford, “onde as pessoas têm a coragem para fazer algo que nunca ninguém no mundo fez”.

A empresa começou a crescer em 2015, e em menos de quatro anos atingiu o estatuto de unicórnio, o oitavo do Brasil. Em setembro, recebeu uma ronda de financiamento de 250 milhões de dólares liderada pelos fundos Dragoneer e Softbank.

“Os títulos são bons e celebrámos quando atingimos o estatuto. Mas do que gostamos mesmo é de pensar no que vamos fazer com este financiamento. Pode passar pela expansão internacional ou por investir na melhoria das casas, por exemplo. O arrendamento é um mercado enorme, ainda só estamos a começar”.

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