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Utentes da margem sul aplaudem redução dos passes mas temem falta de transportes

Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Os utentes dos transportes de concelhos da margem sul aplaudem a redução tarifária dos passes na Área Metropolitana de Lisboa (AML), mas receiam que o estado das frotas, nomeadamente de autocarros e de barcos, venha a prejudicar a medida.

Marco Sargento, da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, considerou que a medida “é muito positiva, uma vitória dos utentes, certa e correta”, que “dá um sinal correto de passagem modelar do transporte individual para o transporte coletivo”, com “ganhos energéticos e ambientais”.

No entanto, segundo o responsável, “existem duas nuvens sobre esta medida”, que é o atual estado da frota nalguns transportes, nomeadamente da Transtejo e da Soflusa, “que, devido ao desinvestimento dos últimos anos, chegou a uma situação crítica”.

“E podemos estender esta questão a outros meios de transporte. Por exemplo, na Fertagus, os utentes de Almada, nas horas de ponta, já não conseguem entrar. Muitas vezes têm de fazer caminho para trás para ir apanhar o comboio ao Seixal para conseguirem embarcar, porque as horas de ponta na Fertagus já estão sobrelotadas”, disse.

Segundo o representante dos utentes, no transporte rodoviário também há constrangimentos, há serviços que não são feitos devido a avarias e horários que não são cumpridos, pelo que teme que a redução de passes, “que tem todas as razões para cativar utentes para o sistema, não tenha esse efeito”.

“Um utente que não esteja habituado e queira deixar o carro em casa e ingressar no sistema vai ver o barco falhar duas vezes, ou vai ver o comboio a passar sem conseguir ingressar ou vai ver o autocarro que termina às 21:00 e não o trás no final do turno e vai desistir e vai voltar ao transporte individual”, afirmou, realçando “o urgente investimento na manutenção da frota, na criação de novas linhas, na informação aos utentes”.

Também Paulo Soares Jorge, da Comissão de Utentes de Transportes Públicos rodoviários do Montijo, salientou que a medida “vem apenas satisfazer uma” das grandes preocupações da associação acerca dos transportes públicos rodoviários, porque “a insuficiência de meios e de carreiras dos TST [Transportes Sul do Tejo] continua a ser uma preocupação grande”.

A comissão tem um abaixo assinado a decorrer, já com 2.500 assinaturas, e vai pedir uma reunião aos TST “no sentido de serem alocados meios de material circulante e humanos, de forma a satisfazer as necessidades que serão muito maiores com a entrada em vigor dos novos passes”.

“Com os utentes que existem agora, a situação já é muito difícil e, com o aumento previsto de utentes com os novos passes a entrarem em vigor, essa situação ultrapassará o ponto de rutura e é uma situação que nos está a preocupar bastante”, considerou.

Paulo Soares Jorge, que também pertence à Comissão de Utentes do Cais do Seixalinho, destacou ainda que a Transtejo, que serve o Montijo, “continua com a mesma situação de défice de material navegante”, com uma “manutenção feita na base do remendo”.

Apesar da promessa de o Governo em adquirir novos barcos, o primeiro deverá entrar em funcionamento apenas no início de 2021, o que “é preocupante, porque as condições continuam a piorar”, concluiu.

A Transtejo assegura as ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão e Lisboa, enquanto a Soflusa é responsável por ligar o Barreiro à capital.

A Área Metropolitana de Lisboa anunciou uma “revolução na mobilidade urbana” que se inicia com a simplificação do tarifário e a criação de um passe único nos transportes públicos dos 18 concelhos que a compõem, que entra em vigor em 01 de abril.

As medidas previstas para a AML a partir de 01 de abril preveem um passe único metropolitano, com um custo máximo de 40 euros, e um passe municipal para cada um dos 18 concelhos, com um custo máximo de 30 euros.

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