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Van Zeller: “É ridículo o povo aceitar sacrifícios e não ir para a rua”

Demissão de Van Zeller foi aceite
Demissão de Van Zeller foi aceite

O povo tem de ir para a rua protestar contra os “sacrifícios” impostos
pelo Governo e as políticas de austeridade da ‘troika’, defende
Francisco Van Zeller, o antigo presidente da Confederação da Indústria
Portuguesa (CIP), à Antena 1. Se não for feito, “ou somos parvos ou
estamos mortos”, atira.

Na entrevista, que será emitida no Sábado, ao meio-dia, pela estação de
rádio, o ainda líder do Conselho para a Promoção da Internacionalização
(CPI) arrasa os resultados obtidos até agora pelo ministro das Finanças,
Vítor Gaspar, e da Economia, Álvaro Santos Pereira. E critica o domínio
da austeridade financeira sobre as políticas do crescimento, problema
que alguns líderes internacionais (como a directora-geral do FMI) também
já vão acusando.

“Este silêncio da Economia sobreposto pela área financeira é demolidor”,
desabafa o engenheiro. “Todos nós, empresários, estamos espantados com
este silêncio. Parece que há um desamparo”.

Para o ex-líder dos patrões, “o primeiro-ministro tem qualidades de bom
comunicador”, mas infelizmente “não tem feito esse trabalho”. E depois
atira a matar: “O ministro das Finanças para comunicar é um desastre… o
da Economia também porque nem aparece”.

Mas o que mais parece indignar Francisco Van Zeller é o facto de o
Governo não ter tido uma palavra de conforto e de esperança para dar ao
“povo”. “As pessoas estão desiludidas, fizeram muitos esforços, e não
lhes vão dizer nada?!”, questiona.

Por isso, contraria o primeiro-ministro, dizendo que “não podemos evitar que haja manifestações na rua”. Se assim fosse, “éramos um povo de molengas”. “Já viu o ridículo que era este povo aceitar os sacrifícios e não ir para a rua, não fazer um desfile.” “Parecíamos parvos ou mortos.”

Durante o debate sobre a redução da Taxa Social Única (TSU), a CPI de Van Zeller apresentou um estudo a defender grandes vantagens caso o Governo optasse por uma descida selectiva desses custos dos empregadores, beneficiando as empresas exportadoras com uma descida generosa, mas deixando todos os outras (as que vivem do mercado interno) de fora.

Apesar desta proposta ser menos onerosa para as contas públicas, Vítor Gaspar arrasou com ela pois violaria as regras europeias da concorrência. Van Zeller não desarma: É uma razão “política”, “é não terem força para negar a todos os outros esse benefício”. “Ponham a legislação entre parentesis durante três ou quatro anos para melhorar as exportações, toda a Europa beneficia”. Para o engenheiro, ao ajudar as grandes empresas também se ajuda as que não exportam, os fornecedores.

Relativamente às subidas de impostos anunciadas, Van Zeller baixa o tom. O estado do País tornam essa opção inevitável. “A nossa situação é horrível e para o ano vai ser dramatico”.

Quanto à capacidade de Portugal regressar aos mercados e ao crescimento em 2013, ventilada pelo ministro das Finanças, o engenheiro não acredita. Vai ser “muito difícil”.

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