restauração

“Vão desaparecer até 40% dos restaurantes independentes”

O chef José Avillez 
(Orlando Almeida / Global Imagens)
O chef José Avillez (Orlando Almeida / Global Imagens)

Chef Avillez não reabrirá seis dos seus restaurantes devido à crise da covid e traça cenário negro para o setor.

O Bairro do Avillez, do chef José Avillez, reabriu dia 1 de junho, com energia renovada e novidades para captar os clientes que não puderam entrar nos espaços durante o período de confinamento. Mas a pandemia e a crise tiveram efeitos dramáticos nos restaurantes do chef: seis não voltarão a abrir portas, confirma José Avillez, em entrevista ao Dinheiro Vivo. E avisa que os tempos que aí vêm não serão fáceis para ninguém, antecipando que quase metade dos restaurantes independentes estão condenados à morte.

Nesta reabertura, há seis dos seus restaurantes que se mantêm fechados. Trata-se de um encerramento definitivo ou a opção foi não reabrir nesta fase?

Sim, há seis espaços que não vão reabrir: o Beco Cabaret Gourmet, onde agora está o Mini Bar (data de abertura a anunciar brevemente), o Café Lisboa, a Cantina Peruana, a Casa dos Prazeres, o Rei da China e o Mini Bar no Porto.

O que motivou esta decisão?

Tivemos de nos reinventar. A pandemia teve efeitos devastadores no negócio da restauração. Para podermos tentar continuar, tivemos de fazer escolhas. Assim, analisámos os custos associados a cada conceito e a rentabilidade e fizemos opções…

De resto, dado o atual impacto da pandemia no setor, é possível fazer um ponto de situação sobre a evolução da operação?

Acho que vão desaparecer entre 30% e 40% dos restaurantes independentes em Portugal. Nós próprios já fechámos estes seis e grande parte dos restaurantes estavam alavancados no turismo… Sem turismo e com as pessoas ainda assustadas, não há clientes. As perdas de quem está aberto variam entre 40% e 90%, enquanto não voltarem os voos com maior regularidade. Enquanto não se der confiança às pessoas, as pessoas não voltarem aos escritórios, será difícil reduzir as quebras.

Como é que comenta estas medidas de apoio ao setor e de reabertura? O que mais seria necessário do seu ponto de vista?

Infelizmente, as medidas não são suficientes — mesmo ainda não sendo totalmente claras e tendo esperança de que não sejam as únicas. O tempo de lay-off não é suficiente, acabou por nunca se regular devidamente os arrendamentos e a maior parte dos senhorios acabaram por sair ilesos de uma das maiores crises de que há memória. Não se fala na necessária redução do IVA para ajudar à retoma, nem em mais nenhum apoio relevante para as empresas de restauração.

Leia também: chefs pedem isenção de TSU e IVA a 6%

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