Indústria

Vaping: Americana Juul chega a Portugal em outubro

Foto JUUL e JUULpods 2

Portugal é o 19.º país a receber marca de cigarros eletrónicos nascidos numa startup de São Francisco.

Há uma mudança flagrante na abordagem da indústria aos fumadores. Num mundo mais informado e atento aos riscos dos cigarros, com campanhas agressivas contra o fumo, a nova mensagem que se quer passar é que há alternativas de menor risco para os adultos que não querem ou não conseguem deixar de fumar. É neste contexto que a Juul Labs, startup de São Francisco que em quatro anos conseguiu dominar o mercado de closed vaping nos Estados Unidos (75%) e há pouco mais de um ano começou a internacionalização, tendo já presença em 19 países de três continentes, chega a Portugal.

Num mercado com 1,6 milhões de fumadores adultos, onde cerca de 10% das mortes são atribuídas a doenças relacionadas com o tabaco e mais de um terço dos consumidores admitem ter tentado deixar de fumar sem sucesso, lançar uma alternativa aos cigarros de combustão revelou-se uma oportunidade para a companhia americana que virou unicórnio.

A empresa não revela, para já números de investimento ou objetivos concretos para a internacionalização – “a nossa missão é contribuir para que se reduza o número de fumadores de cigarros oferecendo uma alternativa de menor risco”, sublinha Grant Winterton, o presidente da Juul para o mercado EMEA. Mas é possível ter uma ideia de quanto vale este unicórnio. Em dezembro, a Altria (dona da Marlboro nos EUA) comprou 35% da empresa por 12,8 mil milhões de dólares, valor que põe a avaliação da Juul Labs a rondar os 38 mil milhões. De acordo com a Bloomberg, as receitas previstas pelos analistas para este ano são superiores a 3,4 mil milhões de dólares.

Foto JUUL e JUUL pods 1

Quanto a Portugal, não há valores de investimento, mas os responsáveis da Juul, que esta manhã estiveram em Lisboa para apresentar o novo produto, adiantam que têm já 30 colaboradores a trabalhar aqui, sobretudo na parte de formação que fazem questão de dar aos funcionários dos cerca de 4 mil pontos de venda selecionados (para já, apenas no continente). A ideia é que não só saibam ajudar os clientes com quaisquer questões sobre o Juul como garantir que restringem as vendas à camada certa: adultos fumadores à procura de uma alternativa que os ajude a reduzir ou deixar o tabaco.

“É uma preocupação assumida não levar adolescentes a fumar, pelo que nem sequer empregamos pessoas com menos de 28 anos”, explica Grant Winterton, presidente para a Europa, Médio Oriente e África (EMEA). O Juul chega então a lojas e postos de combustível selecionados em outubro, com os sabores de tabaco, menta, manga e baunilha (“os sabores facilitam a mudança”, explica o diretor-geral para Lisboa) e preços a variar entre os 6,99 (recarga com dois pods) e os 34,99 euros (dispositivo + starter pack).

Apresentado como um produto para fumadores adultos que desejam mudar, sublinhando que “nenhum não consumidor de nicotina deve experimentar o Juul” e garantindo “medidas rigorosas para impedir o acesso dos jovens ao produto”, incluindo a ausência das redes sociais, a entrada do Juul em Portugal é o “próximo passo da nossa missão para melhorar a vida de mil milhões de fumadores adultos que existem em todo o mundo”, diz o presidente para a região EMEA.

Portugal, onde um em cada cinco adultos fuma, é o 11.º país europeu a receber o Juul, produto de dez anos de desenvolvimento que se materializa num dispositivo parecido com uma pen, a que se junta uma cápsula de nicotina que, conforme vinca o diretor-geral para Portugal, se utiliza sem fumo, sem cheiro, sem cinza e sem gerar alcatrão, uma vez que não tem combustão (ainda que contenha nicotina, pelo que os responsáveis não se cansam de repetir que “o melhor é nunca fumar”).

Fotografia Fundadores_Adam e James

Uma preocupação que choca com as recentes notícias de suspeita de morte associada ao vaping nos EUA? Grant rejeita a ligação. “É um tema que está sob investigação e não há indícios de que tenha realmente que ver com o vaping; parece haver ligação a marijuana e outras substâncias. Esperamos que se descubra as causas rapidamente.”

Fundada em 2015 por James Monsees e Adam Bowen, além dos Estados Unidos, a Juul já está também em Israel, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Irlanda, Espanha, Suíça, Ucrânia, Polónia, Rússia, Bélgica, Áustria, Canadá, China, Indonésia, Coreia do Sul e Filipinas. Em Portugal, “estamos otimistas”. E caso se justifique, já se admite a possibilidade de aumentar a operação se for necessário intensificar a formação a pontos de venda, por exemplo.

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