Vapping. Mercado caiu 80% pondo em risco 600 postos de trabalho

Mercado movimenta cerca de 25 milhões de euros por ano poderá registar quebras entre 60 a 75% até ao final do ano, alerta a APORVAP.

O surto de coronavírus e a decisão de colocar o país em Estado de Emergência está a impactar o sector dos cigarros eletrónicos. "Se nada for feito e depressa, este mercado, que movimenta cerca de 25 milhões de euros por ano, irá sofrer uma quebra entre os 60 e os 75%", alerta Dídio Silvestre, vice-presidente da APORVAP - Associação Portuguesa de Vaporizadores. Em causa estão 600 postos de trabalho diretos.

O surto do coronavírus apanha o sector, com 100 empresas e mais de 200 lojas especializadas, já em quebra de vendas, em contraciclo com outros mercados. "As vendas caíram em média 30% após a posição da Direção Geral de Saúde face aos vaporizadores, e isto aconteceu em contraciclo com o Reino Unido, França, Alemanha, Nova Zelândia, entre outros, que foram capazes de olhar para toda a especulação com um olhar científico e fundamentado", refere Dídio Silvestre. "Hoje, claro que a nossa a situação é infinitamente mais grave. O mercado caiu 80%."

"Esta pandemia agravou ainda mais a atividade das duzentas lojas especializadas que existem em Portugal. Para ser preciso, temos atualmente 600 postos de trabalho em risco. Somos todos pequenos empresários e lojistas, não temos capacidade financeira para resistir a esta paralisação quase total", alerta o responsável.

As lojas mantêm-se abertas e a funcionar. "Estamos, logicamente, a seguir à risca todas as medidas de contenção de riscos. Ou seja, respeitamos integralmente o plano de contingência desenhado pela APORVAP, que segue as orientações da DGS e da Organização Mundial da Saúde", refere o vice-presidente.

A APORVAP não faz uma avaliação positiva das medidas de apoio anunciadas pelo Governo para apoiar as empresas. "Até à data, as medidas anunciadas pelo Governo – embora bem intencionadas – em nada confortam o nosso sector, nem tão pouco resolvem os problemas que enfrentamos", diz Dídio Silvestre.

E explica porquê. "Estamos a falar de microempresas: por maior planeamento que exista não há como aguentar esta razia sozinhos. Há famílias que dependem inteiramente da rentabilidade das lojas. Vivem exclusivamente disto. Ao contrário do que muitos tentam fazer crer, nós não somos parte da grande indústria tabaqueira, nem o cigarro eletrónico tem origem nessas multinacionais milionárias. Não somos ricos, somos gente comum".

As linhas de crédito também não são vistas com bons olhos. "Quanto aos empréstimos de que tanto se tem falado, eles não são solução para microempresas como as nossas. Como vamos pagá-los mais tarde? Além de que protelar os pagamentos ao Estado ajuda, mas também não resolve", justifica.

"O apoio deve ser musculado e rápido. Há salários, rendas, fornecedores e créditos a pagar. A pagar já. Temos 200 pontos de venda, 100 empresas, 600 postos de trabalho diretos em causa. Estamos numa luta pela sobrevivência. Se perdermos esta batalha, o nosso espaço será logicamente ocupado pelas multinacionais do sector...que exportam os lucros. Parece que é disso que gostamos em Portugal."

"O impacto é difícil de prever, tal como a evolução do vírus", diz o vice-presidente da associação do sector quando questionado sobre estimativas de impacto financeiro. "Mas se nada for feito e depressa, este mercado, que movimenta cerca de 25 milhões de euros por ano, irá sofrer uma quebra entre os 60 e os 75%".

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