Hotelaria

Venda de hotéis em Portugal atinge máximo de 469 milhões de euros

Tivoli Avenida da Liberdade entre os hotéis que passaram para a Invesco Foto: D.R.
Tivoli Avenida da Liberdade entre os hotéis que passaram para a Invesco Foto: D.R.

Venda de três hotéis do grupo Minor ao fundo imobiliário Invesco catapultou valor obtido com transações hoteleiras em Portugal

A passagem dos hotéis Tivoli Avenida Liberdade, Tivoli Oriente e Avani Avenida da Liberdade para o fundo Invesco (que gere os hotéis NH), por 313 milhões de euros, fez catapultar o retorno obtido em Portugal com a venda de hotéis. No primeiro semestre deste ano, Portugal registou, assim, um valor inédito nas transações deste segmento imobiliário de 469 milhões de euros, acima dos 461 milhões registados no mesmo período em Espanha. É algo que nunca tinha acontecido, revela a Cushman & Wakefield.

“Este aumento deve-se claramente a uma transação, o negócio entre o Grupo Minor e a Invesco que gere os hotéis NH e que é uma transação dificilmente repetível”, destacou esta quarta-feira, Gonçalo Garcia, head of hospitality da Cushman & Wakefield e responsável em Portugal pelo estudo Hotel Investment in the Iberian Peninsula, que hoje apresentou.

O bom arranque do ano não surge isolado. Em Portugal, tal como em Espanha, a forte procura turística, a estabilidade do mercado e proveitos em alta têm atraído mais investidores para a hotelaria, nomeadamente investidores empresariais, onde se destacam os fundos internacionais dos Estados Unidos e Ásia (chineses e coreanos) e que veem na hotelaria ibérica um “ativo seguro” para diversificação de investimentos.

No ano passado, a procura destes investidores já se tinha feito sentir. A Cushman & Wakefield estima um aumento de 51% no retorno financeiro obtido pela venda de hotéis e grupos a estes grandes investidores para um total de 226 milhões de euros. Em Espanha, um mercado “com 20 anos de avanço”, contabiliza-se um investimento de 3,8 mil milhões de euros em 2018, o que reflete uma queda de 18,7%.

Com a procura em Portugal centrada em hotéis de segmento elevado e de luxo – upper scale e luxury -, o valor pago por quarto é mais elevado do que o obtido em Espanha: 338 mil euros por quarto contra 140 mil euros.

Mas no país vizinho é mais fácil encontrar oportunidades, uma vez que os destinos de segunda linha – Málaga, Valência – aparecem nas opções dos investidores. “Em Portugal seria o equivalente a Braga ou Coimbra, que ainda não são opções fortes”, destaca Gonçalo Garcia.

Com Lisboa e Porto como principais alvos dos investidores, a grande limitação, neste momento é o tamanho dos edifícios. “A grande limitação é encontrar edifícios com escala. Os edifícios de 3000/4000 metros quadrados em Lisboa e Porto são de vários proprietários. Encontrar um edifício 5000 metros quadrados num único proprietário é muito difícil”, destacou o responsável, que admite que “a oportunidade está nos hotéis de família muito bem localizados e com uma gestão pouco profissional”.

A venda de grandes carteiras é, por isso, cada vez mais difícil e nem os créditos malparados parecem ser opção. “As carteiras de malparado são compostas por muita coisa e tem de se levar como bom, o mesmo bom e o que não interessa”, diz Gonçalo Garcia, detalhando que “é a natureza dos ativos que mais condiciona este tipo de investimento”.

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