Venezuela

Vendas a Caracas valem menos de quatro milhões, mas compras subiram com a crise

REUTERS/Carlos Barria
REUTERS/Carlos Barria

Exportações para a Venezuela são 1,8% do que eram antes da crise e balança comercial inverteu-se. Fruta, carvão e minérios são o que mais importamos.

A Venezuela já foi o segundo maior mercado para Portugal na América Latina. No meio de uma forte crise política, social e humanitária, Portugal continua a vender ao país, mas hoje muito pouco. Até novembro do ano passado, as exportações atingiam 3,8 milhões de euros – uma sombra do volume de mais de 207 milhões de euros de vendas alcançadas em 2014.

Arrancavam nesse ano uma crise precipitada com a quebra dos preços e da produção petrolífera e uma forte contestação à liderança de Nicolás Maduro, que grande parte da comunidade internacional quer agora ver interrompida com a abertura de um processo eleitoral pelas mãos de Juan Guaidó, aquele que Portugal e o resto da União Europeia reconhecem como presidente interino venezuelano.

Apesar da forte desvalorização do bolívar venezuelano – alvo de uma reconversão monetária que cortou cinco zeros à moeda no país no ano passado – muitas empresas resistem e mantêm uma relação com a Venezuela, mesmo que residual. Em 2017, eram 115 as empresas que ainda mantinham laços com a economia de Caracas, de acordo com dados da AICEP. Nesse ano, as vendas totais foram de 8,9 milhões de euros – eventualmente, o dobro das exportações de 2018.

Mas, as últimas estatísticas do relacionamento económico com a Venezuela, publicadas este mês, mostram que no ano passado Portugal conseguiu aumentar, ainda assim, algumas vendas ao país. Exportou até novembro, por exemplo, mais construções de ferro e pneus de borracha, para volumes totais de 900 mil euros e 300 mil euros, respetivamente. Já as vendas de medicamentos portugueses, em forte carência no país, caíram de 1,2 milhões de euros para apenas 200 mil euros.

No sentido inverso, as compras de Portugal à Venezuela estiveram a crescer até ao ano passado. O que chegou do lado de lá do Atlântico nos primeiros onze meses do ano passado custou 11,6 milhões de euros – um volume de importações bastante abaixo dos 25,3 milhões do mesmo período do ano passado, mas bem maior que os 1,8 milhões de compras ao país em 2014, quando Portugal acumulava um excedente comercial de 205,2 milhões de euros.

Na crise, Portugal compra mais à Venezuela do que aquilo que vende. E na lista das compras estão minérios de ferro (10,5 milhões), algum carvão vegetal (600 mil euros) que poderá dar energia ao sector metalúrgico, e fruta tropical (100 mil euros) como mangostões, tâmaras, ou ananases.

“Precisamos de ter uma participação em força na recuperação económica da Venezuela”

“Mesmo com a crise, continua a fazer-se negócio com a Venezuela”, assinala Filipe Domingues, secretário-geral do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL). Este organismo tem vindo a defender uma aposta maior nos mercados da América Latina para aumentar as exportações portuguesas, e vê o atual momento político venezuelano como uma oportunidade para Portugal reforçar a presença no país onde “lusodescendentes e portugueses a viver na Venezuela são mais de meio milhão – muitos deles a trabalhar na área da distribuição”.

“Agora que parece que irá haver uma transição, ou que alguma coisa no cenário político e económico da Venezuela está a mudar – e está -, o que precisamos é de ter uma participação em força das empresas e das instituições portuguesas na recuperação económica da Venezuela”, defende o secretário-geral do IPDAL.

Com o Fundo Monetário a apelar, esta segunda-feira, à generosidade da comunidade internacional para apoiar a recuperação económica venezuelana, o responsável do IPDAL defende que empresas, bancos e instituições portuguesas devem estar presentes no esforço.

“Está a discutir-se a possibilidade de haver uma espécie de plano Marshall para apoiar a reconstrução económica da Venezuela. Portugal, as instituições portuguesas, a banca portuguesa, as instituições de seguro de crédito como a COSEC, por exemplo, devem estar animadas com este desígnio de não só ajudar um país que precisa de se reconstruir economicamente, como ao mesmo tempo estar atentas a todas as oportunidades que vão surgir para as nossas empresas na área da modernização tecnológica, modernização administrativa, na área da distribuição alimentar e de bens de primeira necessidade, na área das energias”, entende.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje

Página inicial

Foto: DR

IMI baixa para mais de 24 mil famílias que pediram reavaliação

António Costa Silva, presidente do frupo Partex. 
(Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens)

Huawei: “Portugal não tem a receber lições de moral”, diz presidente da Partex

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Vendas a Caracas valem menos de quatro milhões, mas compras subiram com a crise