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Vendas da Volkswagen a cair quase 30% desde o início do ano

Pereira Coutinho já foi um dos homens mais ricos do país. Fotografia: Álvaro Isidoro/Global Imagens
Pereira Coutinho já foi um dos homens mais ricos do país. Fotografia: Álvaro Isidoro/Global Imagens

João Pereira Coutinho anunciou a venda da SIVA à Porsche, pelo valor simbólico de um euro, graças ao perdão de 116 milhões da banca portuguesa

As vendas da Volkswagen (VW) estão em queda num momento em que foi conhecido o perdão por quatro bancos portugueses (CGD, BCP, BPI e Novo Banco) de uma dívida de milhões contraída por João Pereira Coutinho, dono da SIVA , distribuidora das marcas do Grupo VW.

Desde o início do ano, a marca alemã vendeu apenas 5419 viaturas em Portugal, menos 1607 que em igual período do ano passado. Isto quando, em 2018, a Volkswagen fechou o ano a cair do terceiro para o nono lugar no top das marcas mais vendidas, o que correspondeu a menos 4066 carros face a 2017, ou seja, menos 24,7%. No total, a marca alemã, representada em Portugal pela SIVA, de João Pereira Coutinho, vendeu, no ano passado, 12 407 unidades. Já a Audi, também representada pela SIVA, caiu 44,9% nos primeiros quatro meses do ano, com menos 888 carros vendidos, enquanto a Skoda está a crescer 4,5%.

Perdão de dívida
Números que ajudam a explicar as dificuldades acumuladas do grupo SAG, de João Pereira Coutinho, que comunicou anteontem ao mercado ter chegado a acordo com a Porsche Holdings, do grupo VW, para a compra da SIVA pelo valor simbólico de um euro. Medida só possível graças a um perdão de dívida de, no mínimo 116 milhões de euros, por parte da CGD, BCP, Novo Banco e BPI, banco que ontem apresentou os resultados do primeiro trimestre, com lucros de 49,2 milhões de euros, menos 77% que em igual período de 2018. Na conferência de apresentação de contas, o CEO do BPI, Pablo Forero, não quis, no entanto, indicar qual a dimensão das imparidades assumidas pelo banco em 2018 relativamente ao grupo de Pereira Coutinho, sublinhando, apenas, que “já reconhecemos nas nossas contas o impacto da SAG”.

Recorde-se que o grupo SAG, que detém a SIVA, fechou 2018 com prejuízos de 177 milhões de euros e capitais próprios negativos de 169,2 milhões. A dívida líquida consolidada do grupo totalizava mais de 129 milhões de euros. E esta semana, o empresário comunicou ao mercado o acordo com a Porsche e com a banca e o recurso da SIVA e da SAG a processos especiais de revitalização.

Os quatro bancos envolvidos aceitam perdoar 16 milhões na SAG, grupo que se compromete a liquidar 57 milhões de euros até 2029. Quanto à SIVA, BCP, BPI, CGD e Novo Banco aceitam perdoar, no mínimo, 100 milhões de euros e diferir para mais tarde o pagamento de mais 20 milhões. Além disso, está prevista a anulação total de créditos subordinados no valor de 253 milhões. A banca nacional compromete-se, ainda, a emitir as garantias bancárias necessárias para permitir que o grupo continue a importar e a vender carros no mercado nacional. A Porsche pretende assumir a gestão da SIVA no quarto trimestre do ano. Pereira Coutinho diz pretender assegurar a manutenção dos 650 postos de trabalho.

Lucros em Queda
Nem só em Portugal os números da Volkswagen são negativos. O grupo alemão anunciou ontem uma quebra de lucros de quase 10% no primeiro trimestre (no valor de 2,9 mil milhões de euros), fruto da redução de vendas e do aumento dos gastos com custos legais. Só no primeiro trimestre os processos judiciais sobre a manipulação de emissões de veículos a diesel implicaram gastos de mil milhões de euros, anunciou a VW. O custo total da manipulação de emissões de veículos a diesel no grupo ascende já a mais de 30 mil milhões de euros.

PERFIL
De 5.º mais rico às ligações com políticos
João Pereira Coutinho, 62 anos, em 2008, era o quinto homem mais rico de Portugal. Onze anos depois, vendeu o jato privado e o helicóptero e tem a ilha do Capítulo, uma das mais luxuosas do arquipélago de Angra dos Reis, no Brasil, à venda. Pede 14,5 milhões de euros por uma ilha que tem uma área equivalente a sete campos de futebol e onde recebeu, entre outros amigos, Durão Barroso quando este era primeiro-ministro, em 2003. Foi-se desfazendo dos muitos investimentos que tinha no país.

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