Venderam-se quase dois jaguares por dia em Portugal

Novos modelos levam a Jaguar a mais do que duplicar vendas em Portugal. Mercado de ligeiros cresce apenas 15%

Em Portugal foram vendidos quase 500 jaguares nos primeiros nove meses do ano, mais 288 carros da marca de luxo britânica do que entre janeiro e setembro de 2015. É um aumento de 140,5%. Contas feitas, os portugueses compraram quase dois jaguares por dia este ano, numa altura em que as vendas de automóveis ligeiros, depois do boom que antecedeu as alterações nos impostos, estão de novo a arrefecer, com subidas que não vão além de 15%.Mesmo assim, muito à custa das compras das rent a car, a renovarem frotas devido ao bom momento do turismo.

No total, nos primeiros nove meses do ano, foram vendidos 183 529 automóveis ligeiros em Portugal, a que acrescem 3555 pesados. Só em setembro, foram vendidos 17 445 carros, mais 11,9% do que no mesmo mês de 2015. “Apesar do crescimento que tem vindo a registar-se, o volume de vendas no mês de setembro está ainda abaixo dos valores registados antes da crise”, lembra a Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

À margem da crise parecem estar algumas marcas de luxo. Como a Jaguar que, em 2015, vendeu 205 carros, entre janeiro e setembro, mas este ano vai já nos 493 veículos. Isto quando no ano todo de 2014 só vendeu 168 carros em Portugal. A que se deve a explosão súbita quando outras marcas destinadas a bolsas mais abastadas estão a cair? As vendas da Lamborghini baixaram 75%, a Bentley vendeu menos 20% e a Ferrari registou quebra de 31,3%. A explicação está em novos modelos e preços mais concorrenciais.

A Jaguar, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo, admite que os bons resultados da marca se devem à chegada ao mercado das primeiras unidades do novo Jaguar F-Pace, o primeiro SUV da marca britânica. “Este modelo, que apresentamos na primavera passada, está a ser um extraordinário êxito em todos os mercados. Sendo um modelo e um segmento totalmente novo, todas as vendas são incrementais face aos números de 2015. Além disso, este aumento das vendas foi reforçado pelas berlinas Jaguar XF e XE que, pouco a pouco, vão consolidando a sua presença no mercado português”.

Quanto ao grosso do mercado, seis marcas detêm entre si uma quota de 50%. São elas a Renault, Peugeot e Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW e Opel. Destas, só a Volkswagen é que perdeu: vendeu menos 108 carros este ano do que nos primeiros nove meses de 2015, o que corresponde a uma quebra de -0,8%, a que não será alheio, com toda a certeza, o escândalo da manipulação das emissões poluentes que provocou danos na reputação da marca alemã. Já lá vai um ano que a VW admitiu ter manipulado as emissões de óxido de azoto em 11 milhões de carros em todo o mundo e, pelo 12.º mês consecutivo o grupo voltou a perder quota no mercado europeu (as vendas da indústria europeia cresceram 9,5% e as da marca alemã só aumentaram 6,3%).

Helder Pedro, secretário-geral da ACAP, questionado pelo Dinheiro Vivo sobre a quebra da VW, considerou que não cabe à associação comentar a situação particular de uma ou outra marca. Mas admite até que o facto de o construtor alemão ter “prontamente esclarecido” a situação e ter assumido uma “atitude muito proativa e positiva” terá ajudado “a que os consumidores se sentissem mais confortáveis” e evitado danos maiores.

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