Luis Alberto Moreno

“Venezuela não deve afastar empresas portuguesas da América Latina”

Luis Alberto Moreno, Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento

(Jorge Firmino / Global Imagens)
Luis Alberto Moreno, Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Jorge Firmino / Global Imagens)

Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, quer atrair empresas portuguesas para a América Latina.

O mercado na América Latina vai bem para lá do Brasil. É a mensagem que o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) deixa às empresas portuguesas que queiram internacionalizar-se naquela região. Luis Alberto Moreno, presidente do banco de desenvolvimento que é uma das maiores fontes de financiamento na América Latina, reuniu-se neste mês com Mário Centeno e assinou parcerias com a Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (Sofid).

O objetivo dos contactos com as autoridades foi o de “ajudar as empresas portuguesas a expandirem-se além do Brasil”, explicou o banqueiro ao Dinheiro Vivo. Moreno disse ainda que queria conhecer o “Ronaldo da economia europeia” e “aproveitar o bom momento da economia portuguesa” para aprofundar a relação de Portugal com o BID, nomeadamente o acesso a “fontes europeias de financiamento e também às diferentes linhas do governo português”.

Luis Alberto Moreno explicou que apesar de o Brasil “ser, de longe, a maior economia da América Latina, o empresariado português ainda não chegou a outros países”. Nos últimos anos, uma das apostas de algumas empresas portuguesas foi a Venezuela, que atravessa uma profunda crise. Poderá essa má experiência para algumas entidades portuguesas afetar a imagem que têm da América Latina? Espera que não.

O presidente do BID defende que “a situação na Venezuela é uma exceção na região”. E destaca, além do Brasil, outros cinco países que considera serem uma boa oportunidade para empresas portuguesas que queiram investir na América Latina: México, Argentina, Colômbia, Peru e Chile.

“Todos estes países estão a viver um bom crescimento económico. Têm uma demografia favorável, o que ajuda a economia, e os mercados internos têm tido um crescimento elevado”, argumenta Luis Alberto Moreno.

O líder do Banco Interamericano de Desenvolvimento diz que a instituição é “agnóstica” sobre o tipo de empresas que quer cativar para investir e serem apoiadas na América Latina, destacando que do lado da banca nacional têm já um grande histórico de trabalho em conjunto. “Estamos preparados para acompanhar das mais pequenas às maiores”, diz. Entre os setores que estão na mira do BID estão as infraestruturas, salientando projetos da Mota-Engil. Mas também das energias renováveis, agricultura, indústria, tecnologia e turismo.

Ao nível da administração pública, as equipas do banco estiveram a analisar o que Portugal fez no governo eletrónico. “São práticas que se podem perfeitamente aplicar-se aos governos da América Latina.”

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