Bebidas

Verão cervejeiro vai faturar mais do que o do ano passado

9_beer cerveja copo

Cervejeiros portugueses estão otimistas com o crescimento económico do país, as exportações e as altas temperaturas que estão a fazer crescer as vendas.

As cervejas 0,0% de álcool são a nova tendência do mercado europeu. Talvez por isso, no palco do The Brewers of Europe Forum, em Antuérpia, o CEO da Heineken tenha defendido uma taxa de alcoolemia de 0,0% para quem conduz. Jean-François van Boxmeer defende que “os cervejeiros têm uma responsabilidade em matéria de redução de álcool na estrada” e que “é preciso continuar a fazer campanhas com o mote ‘zero álcool quando conduz’”. A Heineken já lançou a sua 0,0% em Portugal, onde detém a Central de Cervejas, a Sagres fez o mesmo caminho. O concorrente Super Bock Group está agora a chegar ao mercado com a Super Bock 0,0%.

A regulação portuguesa refere que as cervejas sem álcool podem ir até um teor alcoólico de 0,5%, ou seja, tinham sempre uma percentagem de álcool. “O que temos agora é diferente e pode beber-se em qualquer momento, até uma grávida pode beber”, explica Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação e relações institucionais da Central de Cervejas. “Este segmento tem um forte potencial de crescimento, até porque os consumidores procuram estilos de vida mais saudáveis”, acrescenta.

Crescer a dois dígitos
Nos últimos três anos, o negócio cervejeiro cresceu graças à “confiança dos consumidores, ao turismo e às condições climáticas com temperaturas altas”, aponta Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group. “Antecipo que o primeiro semestre deste ano feche bem e acima do ano passado, ou seja, quase com dois dígitos de crescimento.” Nuno Pinto Magalhães afina pelo mesmo diapasão, mas alerta que “ainda não chegámos aos 60 litros de consumo per capita que tínhamos antes da crise. Houve uma quebra de 46% nesses anos”.

Muito ajudou à recuperação do setor “a decisão do governo de ter congelado o IEC, imposto especial sobre consumo de álcool, que é de cerca de 18 cêntimos por litro, ou seja, o dobro do valor de Espanha – e que também está congelado desde 2005”, explica Francisco Gírio, presidente da associação Cervejeiros de Portugal, que fala em injustiça fiscal. “O vinho está isento de IEC. Quando se fala em álcool em Portugal o vinho é uma soft drink, ou seja, quando falamos de política fiscal o vinho não é álcool”, lamenta Pinto Magalhães. “Gostaríamos que o IEC continuasse congelado em 2020”, remata Gírio.

De olho nas artesanais
Vadia, Cinco Chagas, Nortada, Rolls Beer e Pato Brewing foram os pequenos produtores que marcaram presença no fórum europeu. E mostraram o que fazem ao lado de gigantes como o Super Bock Group. O CEO Rui Lopes Ferreira considera que “as pequenas obrigaram as grandes a inovar” e admite que o grupo fará parcerias com algumas, sem descartar a hipótese de aquisições. As artesanais podem não representar mais do que 1% a 2% do volume de cervejas vendidas em Portugal, mas estão a crescer e é assim por toda a Europa.

Novidade na China
O Dinheiro Vivo apurou que o Super Bock Group está a preparar mais um lançamento na China, a novidade chegará ainda este verão. Nesse mercado, as multinacionais têm vindo a roubar espaço às cervejas nacionais no último ano. O Super Bock Group, principal exportador de cerveja para a China, não ficou imune à guerra comercial, que fez cair para metade as importações chinesas de cervejas lusas, fazendo que as exportações nacionais atingissem o valor mais baixo da década. Ainda assim, a Coral, da Empresa de Cervejas da Madeira, está a desbravar caminho naquele país asiático.
No encontro falou-se ainda de sustentabilidade, com a redução do impacto da pegada de carbono a ser preocupação assumida por todos.

*A jornalista viajou a convite da Cervejeiros de Portugal

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O primeiro-ministro, António Costa (E), conversa com o ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno (D), durante o debate parlamentar de discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), esta tarde na Assembleia da República, em Lisboa, 09 de janeiro de 2020. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Subida do PIB em 2019 chega aos 2,2% com revisão nas exportações de serviços

Foto - Leonardo Negrao

Deco: seguros de saúde não cobrem coronavírus, seguros de vida sim

Foto: D.R.

Easyjet. Ligações de Portugal com Itália não serão afetadas, por enquanto

Verão cervejeiro vai faturar mais do que o do ano passado