Vestuário quer lay-off com formação profissional e pago pelo Estado

Empresas estão numa situação de "grande fragilidade", garante o presidente da ANIVEC

A Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC) elogia as medidas apresentadas pelo Governo para ajudar as empresas a enfrentar as consequências da quebra de encomendas decorrente da pandemia do novo coronavírus, no entanto, admite que possam não ser suficientes. E no que ao lay-off diz respeito, César Araújo, presidente da ANIVEC, pede mesmo que o sistema seja, ainda, mais simplificado, com o Governo a assumir o pagamento dos salários aos trabalhadores, conjugando a medida com ações de formação profissional.

Instado a comentar as medidas apresentadas pelos ministros das Finanças e da Economia, e que contemplo, entre outras, uma linha de crédito de 1,3 mil milhões de euros para as indústrias têxtil, do vestuário, calçado, extrativas e da madeira, César Araújo é perentório: "À partida, boas notícias. Acredito que não sejam suficientes, mas é um caminho que está a ser feito e bem feito". No entanto, o presidente da ANIVEC reconhece que o sector esta numa situação de "grande fragilidade", debatendo-se, por um lado, com a falta de matérias-primas, e, por outro, com o cancelamento de encomendas decorrentes do encerramento do comércio um pouco por toda a Europa. Refira-se que Espanha é o principal cliente da indústria têxtil e do vestuário nacional.

"Claro que as pessoas agora não estão preocupadas em comprar roupa, mas com os seus rendimentos futuros. Mas se a situação se prolongar por muitos meses vai ser uma catástrofe e é fundamental que consigamos manter o ecossistema vivo", defende o empresário, que considera vital que o Governo "aligeire" as condições do lay-off, uma "componente importante" para as empresas, diz.

"As empresas estão desesperadas. Se não produzem não têm capacidade para pagar os 30% que lhes compete. E se não têm dinheiro, vão fechar. Precisamos de criar um modelo misto de lay-off conjugado com ações de formação profissional", salienta César Araújo. Senão, o desemprego vai aumentar, com os custos daí decorrentes, frisa.

O empresário lembra que a situação que se vive é "completamente anormal e excecional" e que a prioridade tem de ser "manter as empresas e o emprego". E, por isso mesmo, o sector disponibilizou-se já para colocar o seu conhecimento e a sua capacidade produtiva ao serviço da saúde pública, produzindo equipamentos de proteção individual e vestuário de trabalho para os profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros.

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