eletricidade

Vinci Energies Portugal escolhida para dar mais energia ao Mundial do Qatar

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A empresa vai redesenhar rede de distribuição de eletricidade no emirado até ao fim de 2021. Volume de negócios vai chegar aos 260 milhões de euros

Quem nunca viajou para o Médio Oriente talvez não saiba que pode aterrar em Doha, no Qatar, às três da manhã, e ter enfrentar 35 graus de temperatura, antes de uns insuportáveis 50 graus às oito da noite. Por isso, o campeonato mundial de futebol que se vai disputar no emirado árabe em 2022 foi estrategicamente marcado para novembro e dezembro, quando as temperaturas de inverno oscilam ali entre máximas de 28 e mínimas de 14.

Ainda assim, “é importante que durante o Mundial esteja fresco nos estádios à hora dos jogos e não haja falhas de energia”, explica Pedro Afonso, o novo CEO da Vinci Energies Portugal, a empresa portuguesa escolhida em parceria com a Cisco, de entre gigantes mundiais como a Huawei ou a Nokia, sabe o Dinheiro Vivo, para redesenhar e dar inteligência a toda a rede de distribuição de eletricidade e água do Qatar, num projeto de 26 milhões de dólares, até ao final de 2021.

“Foi uma corrida de gente grande, e nós vencemos”, confirma o CEO da empresa que tem como ambição no espaço de sete a dez anos duplicar de tamanho. Ou seja, passar de um volume de negócios de 130 milhões de euros para 260 milhões algures durante a próxima década.

Para já, no Qatar, um país que tem o tamanho do Algarve, as equipas portuguesas vão agora trabalhar no terreno para “introduzir computação, inteligência e comunicações na rede para garantir que a energia é distribuída para chegar ao ponto certo, ou seja, que no estádio onde está a acontecer um jogo há energia suficiente a ser canalizada a partir da rede para garantir que 70 mil pessoas estão confortáveis”.

No terreno, os serviços de engenharia da Axians Portugal vão redesenhar as telecomunicações que suportam a operação de distribuição de energia e água do Qatar, país que vai acolher ainda este ano os campeonatos Mundiais de Atletismo e o Mundial de Futebol em 2022. O contrato prevê a prestação de serviços para redesenhar a rede de telecomunicações que suporta a distribuição não só de energia mas também de água do país, o qual terá uma duração de 5 anos. “O objetivo é otimizar a rede de telecomunicações do distribuidor estatal de eletricidade e água, que “alimenta” toda a infraestrutura que dará suporte aos vários eventos internacionais programados para aquele país (por exemplo, Mundiais de Atletismo em 2019 e o Mundial de Futebol de 2022) e que exigem quantidades massivas de energia em pontos-chave – estádios, shoppings, transportes, entre outros”, explicou a Axians em comunicado.

O projeto foi atribuído pela companhia estatal de eletricidade e água do Qatar, Kahramaa, à subsidiária local da Vinci Energies, que se apresentou a concurso com a Axians Portugal, garantindo assim a responsabilidade global sobre a arquitetura, execução e manutenção do mesmo. A proposta foi construída em parceria com a Cisco. Para concretizar este projeto a Axians Portugal já tem destacada no país uma equipa multidisciplinar de engenheiros e técnicos qualificados, com a responsabilidade de desenhar, preparar e implementar um projeto que pretende dotar a infraestrutura de distribuição de eletricidade e água com computação, inteligência e capacidade de comunicação de última geração. As competências e conhecimentos necessários foram desenvolvidos em Portugal, através da prestação dos mesmos serviços a utilities a operar em território nacional.

“Depois de reunidas estas novas competências e tecnologias, o operador estatal do Qatar vai ser capaz de canalizar, de forma eficiente e autónoma, os recursos disponíveis para todas as infraestruturas que se preparam para receber os milhões de visitantes esperados para breve. Ficará igualmente habilitada com competências de cybersecurity, fundamentais para garantir resiliência e confiança no funcionamento correto de toda a rede”, referiu a empresa.

Fernando Rodrigues, diretor executivo da Axians Portugal, sublinhou que “a conquista deste projeto é mais um reconhecimento da competência das nossas equipas de engenharia e um marco para a nossa empresa, que assim entra, pela primeira vez, no perímetro do Médio Oriente. Representa, por isso, mais um importante passo no processo de internacionalização da nossa atividade a partir de Portugal, onde temos tido a oportunidade de testar soluções e desenvolver conhecimentos, que agora levamos a outras geografias. Esta foi uma corrida ganha entre gigantes. Temos, também por isso, muito orgulho em trazer para o nosso país um projeto desta dimensão e relevância. Estamos muito focados em executar este projeto com o nível de excelência que nos caracteriza, mas também atentos a oportunidades que estão a surgir noutros sectores. Do ponto de vista estratégico, iniciámos também a análise desta geografia como plataforma de desenvolvimento empresarial e de negócio na região.

O CEO da Vinci Energies Portugal, Pedro Afonso, confirma a expansão internacional e garante que este projeto no Qatar é quatro vezes maior do que qualquer outro do género que já desenvolveram ou estão a desenvolver na rede de distribuição de energia em Portugal.

Ao Dinheiro Vivo, a EDP Distribuição confirmou estar a trabalhar com a Vinci Energies para acelerar o projeto de integração dos componentes que vão conferir a inteligência à rede elétrica portuguesa, ainda muito analógica e pouco digital. No entanto, a experiência já ganha com a rede nacional vai ajudar também na transformação da rede do Qatar.

Sendo Portugal o laboratório de todos os testes da empresa, que opera no mercado nacional desde 2005, o CEO confirma vários projetos e oportunidades por cá, a começar pela mobilidade elétrica (com soluções de carregamento para condomínios) e pela corrida à energia solar no sul do país, estando a Vinci Energies a trabalhar já em projetos de parques solares fotovoltaicos que vão entrar em produção em 2019.

Para este ano estão na calha novas aquisições de empresas (depois da compra da Novabase IMS por 40 milhões em 2017, que resultou no nascimento da Axians), com novidades prometidas até junho. “Temos várias aquisições já em pipeline”, garante Pedro Afonso, que comanda uma equipa de 1219 colaboradores.

Com 25% do volume de negócios fora de Portugal, a Vinci Energies opera em várias geografias: Angola, Moçambique, Luxemburgo e outros países europeus, onde a empresa é responsável pelas instituições europeias, com projetos a decorrer no Banco Europeu de Investimento (no valor de sete milhões de euros), no Instituto Europeu de Patentes, na EUMETSAT e na Agência Europeia de Medicamentos. E ainda um projeto de engenharia no Arco da Central Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.

“Estamos a trilhar um forte caminho de internacionalização a partir de Portugal. Não há volta a dar, dado o tamanho do país”, remata Pedro Afonso.

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