ViniPortugal e comerciantes lutam para recuperar costume do vinho a copo

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Recuperar o costume do vinho a copo, às refeições e fora delas, apostando na qualidade do produto servido, está a revelar-se uma luta para os agentes vitivinícolas portugueses, que beneficiam agora de uma campanha da ViniPortugal.

Enquanto no país vizinho, Espanha, sempre foi habitual beber vinho a copo nos bares de ‘tapas’, em Portugal esta tradição perdeu-se “de uma forma muito acentuada”, disse à Lusa Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, responsável pela campanha ‘A Copo’.

Segundo Monteiro, pedir hoje um só copo de vinho “não é muito apreciado socialmente” em Portugal, fenómeno ainda mais estranhado fora dos meios urbanos e entre jovens de 20 a 30 anos.

Apesar de “uma perceção de maior adesão ao vinho a copo”, a campanha da ViniPortugal não está a decorrer de acordo com as expectativas de Jorge Monteiro, sendo que se trata de um projeto “educativo” a longo prazo que visa “mudar o consumo de vinho a copo de 5 a 10 anos”.

A campanha tem como objetivos normalizar o consumo de vinho a copo “com moderação” fora das refeições e incentivar a ampliação da oferta destes produtos nos restaurantes, para que o consumidor possa escolher entre diversas variedades sem ter de comprar a garrafa inteira.

O vinho desvalorizou-se “depois da ditadura”, quando Portugal “se abriu aos produtos estrangeiros como a cerveja e os refrigerantes”, e a recuperação do costume começou apenas “por volta do ano 2004”, frisa Silvia Castro, do grupo César Castro, empresa que comercializa acessórios que contribuem para a conservação do vinho após abertura da garrafa.

“Sempre tem havido vinho a copo nas tascas, os ‘copos de três’, mas tratava-se de vinhos fracos”, expõe Castro, apontando para “o salto qualitativo” que está a desenvolver-se em Portugal, “porque agora as pessoas sabem o que bebem, qual a zona do vinho”.

Susanna Tocca da empresa DOC DMC, que promove o enoturismo em Portugal, além de distribuir tecnologia para a conservação do vinho em restaurantes e ‘wine bars’, assegura que a evolução das vendas destes sistemas, nos cinco anos de existência da empresa, tem sido “muito dura”, dado que muitos hoteleiros “não percebem que isto não é um gasto, mas um investimento”.

Além disso, Tocca aponta para a crença “enraizada” de que o vinho a copo é “de má qualidade”, e outros “preconceitos”, como de que a garrafa “seja aberta a frente do cliente”.

Susanna Tocca observa que Portugal “não promove bem a qualidade dos seus vinhos”, que acredita melhores que muitas garrafas estrangeiras de maior fama.

Seguindo o costume do vinho a copo, numa ementa de três pratos podem ser servidos “até quatro vinhos diferentes”. Esta maneira de consumir vinho, no entanto, “não têm popularidade” em Portugal, pois, lamenta Tocca, “ainda falta essa visão”.

Desde a abertura da loja ‘gourmet’ e restaurante Delidelux de Lisboa há oito anos, têm sido utilizados sistemas para a conservação do vinho depois de aberto, sendo esta uma das maiores preocupações dos hoteleiros e um dos medos que os impedem de alinhar na tendência do vinho a copo.

“Porém, os nossos vinhos têm muita rotação”, assegura Inês Chai, responsável do restaurante, que tem notado um crescimento no volume de pessoas que pedem “mais de um copo por jantar” de diferentes vinhos, “porque sabem que este sistema existe”.

Susanna Tocca saúda a campanha da ViniPortugal, afirmando que “as coisas começam a mudar devagarinho” através de iniciativas como ‘A Copo’.

Mais cético, Manuel Rocha, diretor da Adega de Borba, acredita que este tipo de campanhas “não tem a força necessária” por razões “de orçamento”, e acrescenta que tem havido uma redução “importante” do consumo de vinho em Portugal. “Grande parte do vinho consome-se dentro de casa”, salienta o produtor.

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