Portugal Mobi Summit

“Virámos tudo de pernas para o ar para nos focarmos no combate à pandemia”

Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais.
Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais.

Cascais faz testes serológicos grátis, produz cinco milhões de máscaras que doa às IPSS e distribui gratuitamente aos utentes de transportes públicos, também eles gratuitos no concelho.

A pandemia não só acelerou a mobilidade e transição digital de Cascais como transformou o concelho num caso de estudo a nível internacional, com direito a notícia no The New York Times. É o próprio presidente do município, Carlos Carreiras, a reconhecer a reviravolta: “virámos tudo de pernas para o ar para colocar o foco no combate à pandemia”.

E o combate passou por inúmeras frentes: recurso massivo ao teletrabalho, comunicação nas redes sociais, apoio tecnológico às escolas e empresários, mas essencialmente pelo envolvimento direto e pioneiro, primeiro na encomenda de máscaras e equipamento médico da China, e depois, na importação de maquinaria para a “produção própria de máscaras, que estão a ser distribuídas de forma gratuita nos autocarros, também eles gratuitos deste o início do ano, para os munícipes, trabalhadores ou estudantes no concelho”.

A última inovação do executivo de Carlos Carreiras é a disponibilização gratuita de testes serológicos a toda a população, para despistar os níveis de imunidade. “Só no primeiro dia houve 100 mil chamadas a tentar entrar na linha”, conta o autarca. “Face a uma procura tão elevada, não houve logo capacidade de resposta, mas já está a estabilizar”, assegura.

Também para a marcação destes testes são necessárias algumas competências digitais, como o envio de comprovativos de morada via online, o que nem todos conseguem fazer à primeira. E “tal como a autarquia fez com os mais novos, com a criação de um canal no Youtube para dar formação digital a crianças e jovens, também pondera alargar esta via de formação para os mais idosos”.

Isto porque, diz o autarca, não há volta a dar à transição digital. “A pandemia obriga-nos a uma alteração cultural e comportamental que cada um vai ter de assimilar de forma muito rápida”.

Uma mudança rapidamente interiorizada pelo próprio presidente, que já tinha uma presença assídua nas redes sociais, mas intensificou-a, para responder diretamente aos munícipes uma vez por semana às dúvidas em torno da covid-19.

“Não se pode afirmar a liderança sem estar presente, próximo das pessoas”. E o que lhe perguntam os munícipes naquilo a que chama ‘democracia direta’? “Há muita gente baralhada, com dúvidas que incidem muito nos novos programas que vamos lançando – porque a inovação gera dúvidas –, também oiço críticas e sugestões de melhoria”. Mas “esta proximidade das pessoas também permite combater uma doença que é a solidão”.

Enquanto gestor de uma smart city, Carlos Carreiras está a habituado a ver Cascais apontada como referência na mobilidade sustentável. Mais raro é, de repente, ser ela própria “a primeira entidade em Portugal a conseguir importar equipamentos médicos da China”, em abril, em pleno crescendo da pandemia, e também a produzir máscaras.

O edil conta que primeiro houve uma procura de fornecedores, seguiu-se a confirmação da certificação e depois tratar da logística para garantir que o material chegava a Portugal e era possível a sua rápida distribuição. Num segundo momento, e face aos preços incomportáveis que as máscaras atingiram, resolveu tomar em mãos o assunto e a autarquia fez a encomenda ainda em abril para importar duas máquinas e gerir ela própria a produção de máscaras, mediante adjudicação. “Já estão a produzir, têm capacidade para produzir cinco milhões de máscaras por mês”.

O autarca revela que cada máquina custou 300 mil euros e que a matéria-prima 200 mil euros, pelo que o investimento rondou o milhão de euros. Carlos Carreiras explica que as máscaras estão a ser doadas às IPSS do concelho, que, por sua vez, cobram um máximo de 25 cêntimos por unidade aos munícipes. “É uma forma de ajudar também estas instituições, que estão a sentir dificuldades pela sobrecarga dos pedidos de ajuda”. A alguns idosos são levadas diretamente a casa por voluntários.

Com o teletrabalho ainda para lavar e durar, o autarca do PSD não hesita em afirmar que “esta é uma modalidade de trabalho que veio para ficar, desde que com o acordo do trabalhador e parecer positivo do empregador. Tendo isso em mente, o município está já a planear reajustar o seu património, de modo a que se possam gerar receitas para compensar as perdas que registou na sequência desta pandemia, revelou o autarca em entrevista no âmbito da segunda sessão do Portugal Mobi Summit 2020, iniciativa de que a Câmara de Cascais é parceira.

Veja tudo sobre mobilidade e o Portugal Mobi Summit em www.portugalms.com

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