Vistos gold continuam a crescer

Desde que o programa foi lançado em 2013, já foram atribuídos 2378 vistos gold

O número de vistos gold atribuídos a investidores estrangeiros continua a crescer, apesar do escândalo de corrupção que estalou nos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) em novembro do ano passado.

De acordo com os dados do ministério dos Negócios Estrangeiros recolhidos pelo Dinheiro Vivo, foram atribuídos 356 vistos até 30 de abril de 2015, mais do que os 300 que foram entregues no mesmo período do ano passado, segundo as estimativas da Associação dos Mediadores Imobiliários.

Janeiro foi o mês mais fraco, com 78 vistos atribuídos, mas Fevereiro destacou-se, com 103 vistos, já março voltou a registar uma quebra, com 87 licenças e abril chegou aos 88.

“O problema no SEF teve impacto no momento, em novembro, mas agora já está tudo normal. Há uma estabilidade e há muita procura de imóveis por parte dos estrangeiros”, disse ao Dinheiro Vivo, o presidente da APEMIP, Luís Lima.

Por exemplo, na Habitare Maximum, uma imobiliária do Porto que se especializou neste negócio, principalmente com chineses, “neste momento, estão “a vender um imóvel por mês para investidores que querem vistos gold” e, nas últimas seis semanas fizeram “12 visitas com famílias estrangeiras”, disse ao Dinheiro Vivo, Ricardo Paiva, um dos administradores da Habitare Maximum.

Para estes dois responsáveis, o único impacto do escândalo de corrupção deu-se no próprio SEF que está agora mais exigente na aprovação dos vistos e, por isso, está também mais lento a tomar decisões.

“Depois do que aconteceu, o SEF ficou apreensivo e hoje a apreciação dos processos é mais cautelosa e demorada, por exemplo, o que antes demorava um mês agora pode demorar dois ou três”, contou Luís Lima.

A prová-lo está que o número médio de licenças atribuídas por mês passou de 127,17 em 2014 para 89 em 2015, de acordo com os mesmos dados do ministério dos Negócios Estrangeiros.

Contudo, diz o mesmo responsável, “ainda bem que é assim agora e que há mais controlo porque isso deu um sinal de confiança aos investidores. Este programa ajudou muito o imobiliário e a reabitlitação urbana. Sem ele seria uma tragédia”, reparou.

E a Habitare Maximum é um bom exemplo disso. “Os vistos gold foram fundamentais. Deram-nos recursos para contratar pessoas e investir em marketing e viagens a feiras para promover os imóveis que há no país. Hoje tenho quatro funcionários fixos quando antes só tinha um”, comentou Ricardo Paiva.

Investimento de 1,4 milhões de euros

Desde que o programa foi lançado em 2013, já foram atribuídos 2378 vistos gold a estrangeiros, sendo que os chineses continuam a liderar a lista de investidores com um total de 1876. Seguem-se os brasileiros, mas muito distantes dos chineses, com 86 licenças, e depois os russos, com 79.

Na lista fornecida pelo ministério dos Negócios Estrangeiros há agora um total de 50 nacionalidades que já têm vistos gold, entre elas o Líbano, que surge em quarto lugar, mas também o Vietname, Djibuti, Palestina, Biolorússia, Birmânia ou o Senegal, a entrada mais recente.

No total, os investidores destas nacionalidades trouxeram para o país mais de 1,44 mil milhões de euros, dos quais 1,3 mil milhões foram aplicados na compra de imóveis, não só em casas, mas também em prédios para reabilitar ou edifícios e lojas arrendados.

“Fizemos recentemente um negócio em Coimbra com um chinês que comprou um imóvel para alugar quartos a estudantes. Já não estão só à procura de vistos gold, mas também de rendimento”, contou Ricardo Paiva

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