Energia

Windfloat. Parque eólico flutuante da EDP em Viana do Castelo derrapa para 2020

Crédito: Windfloat
Crédito: Windfloat

EDP e REN estão no sprint final para ligar o Windfloat à rede na próxima semana. O parque eólico flutuante só ficará operacional nos "próximos meses".

A entrada em operação do parque eólico flutuante Windfloat Atlantic, do consórcio Windplus, dominado pela EDP e situado a 20 km da costa portuguesa ao largo de Viana do Castelo, vai derrapar para os primeiros meses de 2020.

A confirmação foi dada ao Dinheiro Vivo por fonte oficial da EDP. “Prevemos que o primeiro parque eólico flutuante offshore na Europa Continental comece a funcionar antes do final do ano, embora não a 100% da sua capacidade […] O projeto estará totalmente instalado e entrará em operação nos próximos meses”.

A REN, entidade responsável pela construção do cabo marítimo que liga a nova central eólica flutuante à rede elétrica, garantiu ao Dinheiro Vivo que “está a cumprir com os prazos estabelecidos no projeto. O cabo foi colocado no fundo do mar e estão a ser concluídas as atividades finais da responsabilidade exclusiva da REN”. Tanto a EDP como a REN têm, cada uma, um título de utilização privativa do espaço marítimo, para construir e operar o parque, concedido pelo Governo português.

O Dinheiro Vivo sabe que falta ainda ligar o cabo da REN à primeira turbina eólica flutuante que já foi rebocada em julho para o local, algo que deverá acontecer nos “próximos dias”, se o mau tempo não impedir a operação em mar alto. Para a próxima semana está também agendada a chegada da segunda turbina a Viana do Castelo, onde o leito marinho alcança uma profundidade de 100 metros.

Na mesma altura, início de dezembro, o Fundo Ambiental fará então a transferência autorizada pelo Governo para o Sistema Elétrico Nacional “até 10 milhões de euros” para “atenuar a repercussão” futura do investimento no parque eólico flutuante ao largo de Viana do Castelo sobre o tarifário da eletricidade.

Além disso, falta ainda construir em terra um posto de corte ou seccionamento (onde chega a eletricidade vinda do mar), que ficará situado na praia Norte, acima da foz do rio Lima e, por fim, posicionar no mar português a terceira, e última, plataforma Windfloat, que só chegará este fim de semana ao porto galego de Ferrol (onde lhe será acoplada a respetiva turbina eólica), depois de o mau tempo ter atrasado várias vezes a sua saída do porto de Setúbal, onde as três megaestruturas foram construídas pela PME portuguesa ASM Industries.

Assim que estiver operacional, e ligado à rede, parque o Windfloat Atlantic entrará na sua fase pré-comercial e será um dos maiores parques de energia eólica flutuante do mundo, com o recorde de ter três das maiores turbinas eólicas assentes em plataformas marítimsa flutuantes (cada uma com 8,4 MW, num total de cerca de 25 MW). Seguir-se-á, mais tarde, a fase comercial do Windfloat, já com 30 turbinas e 150 MW de potência instalada.

Por tudo isto, o projeto tem estado grande destaque – como um exemplo a seguir – na conferência Offshore 2019, organizada pela WindEurope, e que decorre esta semana em Copenhaga. No evento internacional na Dinamarca, Eduard Estrada e John Hsu, responsáveis do grupo chinês Hengtong, contratado pela REN por para construir o cabo marítimo de muito alta tensão que permitirá injetar a primeira energia eólica com origem no mar no sistema elétrico nacional, exibem com orgulho o projeto Windfloat Atlantic aos visitantes que passam pelo stand da empresa na exposição.

Imagem de corte do cabo marítimo que liga o parque eólico offshore à rede elétrica nacional

Imagem de corte do cabo marítimo que liga o parque eólico offshore à rede elétrica nacional

Confirmando o valor de 47 milhões pago pela REN, ambos garantem que o “cabo de exportação” está pronto e enterrado no fundo do mar desde o passado dia 15 de outubro. “O objetivo é que tudo esteja pronto para escoar a energia antes do final de 2019. Do nosso lado a instalação está finalizada”, reafirmou Eduard Estrada.

De acordo com o contrato estabelecido com a REN, o grupo chinês deverá também ficar responsável pela manutenção do cabo marítimo durante 10 anos. Entretanto, no fundo do oceano Atlântico, as obras no terreno para perfurar o solo rochoso, estabilizar o cabo com cerca de 18 km de comprimento (parte estático, parte dinâmico) e depois enterrá-lo, já na areia, mais longe da costa, foram entregues a uma outra empresa subcontratada pela Hengtong, a multinacional DeepOcean, com sede em Oslo, na Noruega, que também garante já ter concluído as obras.

“Este projeto, apesar de ser pequeno em capacidade instalada, com apenas 25 MW, demonstra que a tecnologia flutuante em que a EDP está a apostar permite a instalação dos maiores aerogeradores já em comercialização. E demonstra que é bancável, porque conseguimos obter o financiamento do Banco Europeu de Investimento. Significa que temos o aval dos investidores. Está toda a gente a olhar para este projeto. Está a ser uma montra para o mundo. Apesar das dificuldades mais recentes, com o mau tempo, temos conseguido progredir, cumprir prazos e mostrar que a tecnologia pode ser fabricada no sul da Europa, em Portugal e Espanha, usando as logísticas locais”, disse ao Dinheiro Vivo José Pinheiro, da EDP Renováveis, que participou como orador na conferência da WindEurope na capital dinamarquesa.

Infografia: EDP

Infografia: EDP

O próximo passo da EDP será agora apostar em parques flutuantes de larga escala, garantiu o mesmo responsável da EDPR, como são exemplo os 500 MW anunciados recentemente na Coreia do Sul e os projetos em França em joint-venture com a Engie. “Já estamos com os olhos postos noutras geografias. O offshore é uma aposta muito clara para a EDP”.

“O consórcio está satisfeito com o progresso dos trabalhos realizados e com os marcos alcançados até agora. O projeto Windfloat Atlantic não encontrou nenhum problema técnico relacionado com o fabrico, montagem e instalação da turbina. Todas as partes envolvidas no projeto têm trabalhado arduamente para tornar este projeto num sucesso”, rematou fonte oficiada EDP ao Dinheiro Vivo.

Infografia: EDP

Infografia: EDP

O Windfloat Atlantic é o primeiro projeto do consórcio Windplus, detido conjuntamente pela EDP Renováveis (54,4%), Engie (25%), Repsol (19,4%) e Principle Power Inc. (1,2%). Com um orçamento total de 125 milhões de euros, o Windfloat Atlantic contou com um financiamento de 60 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para três aerogeradores, cada um com uma potência de 8,4 megawatts, sendo que as plataformas serão dispostas em linha, todas à mesma latitude e afastadas entre si cerca de 600 a 800 metros. A central deverá injetar na rede eletricidade suficiente para abastecer 16 mil casas.

A jornalista viajou para Copenhaga a convite da WindEurope

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