Ambiente

Zero desafia consumidores a manifestarem-se contra gasóleo com óleo de palma

Fotografia: Brandon Wade/Reuters
Fotografia: Brandon Wade/Reuters

Até junho, Portugal utilizou mais de 20 milhões de litros deste combustível, 3% mais que no mesmo período de 2018.

A associação ambientalista Zero apelou este sábado para que os consumidores mostrem o descontentamento por terem de abastecer com gasóleo contendo óleo de palma e exige uma “posição política clara” de abandono no curto-prazo da utilização de matérias-primas insustentáveis.

A Zero lançou o desafio aos condutores para imprimirem o autocolante “Eu sou obrigado a abastecer com óleo de palma”, disponível no site e redes sociais da associação, colar no carro, tirarem uma foto e partilharem nas redes sociais utilizando o hastag #GasoleoSemOleoDePalma, mostrando “o seu descontentamento” por não terem “praticamente alternativas para abastecer gasóleo sem a presença de óleo de palma”.

“Considerando que a maior parte do gasóleo presente nos postos de abastecimento, independentemente da marca, é fornecido pelas refinarias da Galp, é assim inevitável que os consumidores que tenham veículos a gasóleo não tenham outra possibilidade, que serem coniventes com o uso insustentável de óleo de palma como biocombustível”, afirma a associação em comunicado.

Para a Zero “é fundamental” que o Governo e os diferentes partidos se comprometam com o definido nos seus programas eleitorais relativamente à utilização de biocombustíveis sustentáveis, definindo um calendário apropriado, com o abandono até ao final de 2020 da utilização do óleo de palma para a produção de biocombustíveis e como elemento incorporado no gasóleo comercializado em Portugal.

Exige também que “a indústria petrolífera, e em especial a Galp como produtora de biodiesel com recurso ao óleo de palma, assuma um papel pioneiro e ambientalmente responsável junto dos consumidores, substituindo o óleo de palma por outra matéria-prima ambientalmente mais sustentável”.

Por outro lado, defende, acresce a necessidade de transparência no mercado de biocombustíveis com a indicação ao consumidor de qual o tipo de biocombustível que está a ser incorporado, quais as matérias-primas utilizadas e a sua origem, para “permitir uma escolha mais consciente”.

A Zero salienta que, pelo segundo ano consecutivo, o consumo deste óleo para a produção de biocombustíveis, mantém níveis recorde quando comparado com os valores mínimos atingidos em 2017.

Segundo dados do Laboratório Nacional de Energia e Geologia para o primeiro semestre de 2019, utilizaram-se em Portugal mais de 20 milhões de litros, uma quantidade cerca de 3% superior à registada para igual período em 2018.

“A manter-se o nível de consumo, este ultrapassará os 38 milhões de litros registados em 2018, cinco vezes superior ao total registado para o ano de 2017, que foi de 7,6 milhões de litros”, adverte a associação ambientalista.

De acordo com a Zero, a maior parte desse óleo de palma é utilizada na refinaria da Galp em Sines, na produção de um tipo de biodiesel (HVO – Hidrogenated Vegetable Oil) que é utilizado para incorporar no gasóleo rodoviário, de forma a cumprir as metas de redução de emissões de CO2 previstas na Diretiva das Energias Renováveis (inicialmente introduzida em 2009).

Como “razões fundamentais” para a sua incorporação na produção de biocombustíveis, aponta o facto de o óleo vegetal ser mais barato e o processo de fabricação de HVO ter custos mais reduzidos recorrendo ao uso de óleo de palma do que ao óleo de colza ou soja.

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