África

Zimbabwe: Cabras, vacas e ovelhas poderão ser garantias para bancos

Fotografia: REUTERS/Philimon Bulawayo
Fotografia: REUTERS/Philimon Bulawayo

Ministro das Finanças local diz que a medida poderá "promover a inclusão financeira a pequenas e médias empresas, mulheres e jovens"

Animais como cabras, vacas e ovelhas poderão servir, em breve, como garantias para os bancos concederem empréstimos no Zimbabwe. Esta é a mais recente proposta do partido liderado pelo Presidente Robert Mugabe para tentar animar o crédito às empresas naquele país. A proposta deu entrada esta semana no Parlamento local, adianta o Financial Times. Os empréstimos para crédito pessoal representaram menos de dois terços do total dos empréstimos totais, uma forte redução em comparação com os 90% registados há três anos.

O documento prevê que os bancos passem a aceitar ativos móveis como garantias (colaterais). Além do gado, “qualquer tipo de máquinas, veículos a motor e contas a receber” poderão ser incluídas como garantia para os bancos, que terão de aceitar estes elementos para conceder crédito.

O ministro das Finanças do Zimbabwe, Patrick Chinamssa, disse aos deputados que esta medida poderá “promover a inclusão financeira a pequenas e médias empresas, mulheres, jovens e outras pessoas pouco habituadas a utilizar serviços bancários”.

Os banqueiros estão preocupados com esta proposta e com a definição de ativos. Grande parte deles está sujeita a uma rápida depreciação em termos de valor. No continente africano, ativos como gado e bens móveis apenas são aceites em países como Nigéria, Gana e Malawi.

Economia problemática

A principal razão para esta medida prende-se com a falta de dólares norte-americanos no país. Desde 2009 que o dólar do Zimbabwe deixou de ser considerada a moeda principal do país, depois de o colapso da economia ter gerado um fenómeno de hiperinflação. O banco central emitiu 100 mil milhões de dólares de Zimbabwe que praticamente perderam o valor depois de impressas.

Depois de algum período de recuperação, a economia do Zimbabwe recuperou durante algum tempo. Só que a incerteza política – não se sabe quem suceder a Mugabe, com 93 anos – e a hostilização do Governo ao investimento atiraram o país novamente para problemas.

O Governo decidiu, por isso, introduzir em 2016 as notas de fiança, uma moeda paralela, numa tentativa de restaurar a liquidez da economia. Atualmente há 110 milhões de dólares deste tipo de moeda. Só que a economia do Zimbabwe está muito baseada nas importações. No Zimbabwe existem ainda limites diários de 50 dólares (47,11 euros) de levantamento de dinheiro nas caixas multibanco. Cada pessoa não pode ainda sair do país com mais do que mil dólares na carteira.

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