Imobiliário

Zome. Nova imobiliária portuguesa quer vender casas em todo o mundo

A CEO da nova imobiliária Zome , Patricia Santos. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
A CEO da nova imobiliária Zome , Patricia Santos. Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

Agência arranca com quase mil consultores que saem da Keller Williams Portugal. Zome prevê criar mais 350 empregos este ano.

De Braga para o mundo. O slogan não é oficial mas traduz a ambição da agência imobiliária que acabou de nascer na cidade dos arcebispos. Em cinco anos, a Zome quer ser líder na venda de casas na Península Ibérica. Expandir na Europa e na América Latina também está nos planos. “Chegámos para abanar o mercado”, garante a CEO, Patrícia Santos.

Tal como os restantes 982 consultores da Zome, Patrícia Santos transita da Keller Williams Portugal (KW). A CEO da Zome fazia parte do grupo do norte, o KW Business, e ao fim de cinco anos decidiu que estava na hora de se desvincular do franchising da marca norte-americana. Juntou-se aos grupos KW Prime, de Lisboa, e KW Viva, de Coimbra e Leiria para criar uma marca de raiz. O investimento foi de dois milhões de euros.

“Não foi uma situação de conflito que nos fez sair. Simplesmente tínhamos visões e ambições diferentes da KW. O futuro que queremos para a mediação imobiliária não estava alinhado com os objetivos da KW”, afirma a responsável em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A Zome nasce com 10 hubs em cidades como Lisboa, Porto, Leiria ou Coimbra. Até ao fim de 2019 haverá mais três, em Aveiro, Figueira da Foz e no Parque das Nações. E além da sede em Braga, haverá um escritório central em Lisboa. Para crescer, a imobiliária conta reforçar a equipa com 350 trabalhadores ainda este ano.

O portfólio da Zome arranca com mais de quatro mil imóveis, a maior parte do segmento médio e médio alto. “O nosso foco são as casas para a classe média. A gama entre 130 mil e 170 mil euros é a que mais vendemos. Mas na próxima semana vamos lançar a Zome Luxury que só terá casas de luxo”. No primeiro ano de atividade a imobiliária conta faturar 38 milhões de euros. Um número que faz com que a marca entre diretamente no top 5 das agências que operam no mercado nacional.

À conquista do país vizinho

Depois da volta a Portugal, a estratégia da Zome passa por atravessar a fronteira. O primeiro passo está dado, já que a agência também “herda” o hub que a KW geria em Madrid. “Em Espanha a expansão será rápida e no curto prazo para várias cidades”, garante a CEO, que desvaloriza a concorrência feroz do setor no país de nuestros hermanos. “Apesar de Espanha ter mais regulação, em Portugal a mediação imobiliária está mais desenvolvida nas questões técnicas. Há muito dinamismo e criatividade, que nos leva a acreditar no sucesso da expansão”.

Depois de Espanha, o foco será conquistar as 12 principais cidades europeias no espaço de quatro anos. Uma diáspora que vai acontecer de forma orgânica, destaca Patrícia Santos. “Queremos expandir com pessoas que tenham a ambição de criar o seu próprio projeto. Da nossa parte, basta encontrar a pessoa certa para avançar. Já temos alguns contactos em França e Inglaterra”, adianta.

A terceira fase de expansão não tem data para começar, mas o destino já está na mira. Pela “proximidade cultural e linguística”, a agência vai apostar na América Latina, e sobretudo no Brasil. “Queremos abrir para o mundo e ser uma multinacional de origem portuguesa. A maior parte das grandes imobiliárias que operam em Portugal são norte-americanas. Se os americanos vieram para cá, porque não podemos nós vender casas lá?”

“Tecnologia que ninguém tem”

Mas antes de partir para a América, a Zome trouxe a América até Braga. Um dos pilares estratégicos da imobiliária será a aposta na tecnologia. Para já, assinou uma parceria com a IBM e trabalha com as plataformas de web services da Amazon. Inteligência Artificial e big data são algumas das inovações que a agência está a incorporar no seu sistema “com uma magnitude que não existe no mercado português”. Os consultores da Zome vão poder, por exemplo, fazer estudos de mercado “na hora”.

Já o projeto com a IBM, explica a responsável, é “um modelo de interação com o cliente que vai além de um simples chatbot. É um sistema que lê as nossas intenções pela forma como navegamos. Ainda está a ser desenvolvido, não estará online logo no dia um, mas será algo que ninguém tem”.

A Zome conta com uma “equipa de desenvolvimento permanente” de novas tecnologias que tem em pipeline “centenas” de inovações para os próximos anos.

Apesar do foco na tecnologia, Patrícia Santos garante que a relação pessoal com os clientes nunca será eliminada. “Há quem defenda que um dia se vão vender casas pelo multibanco, mas nós não acreditamos nisso. O fator humano é importante e tem de ser reforçado”. O sonho de Patrícia Santos é “ajudar a credibilizar o setor de tal forma que, um dia, ser consultor imobiliário terá tanto prestígio como ser médico ou advogado”.

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