Zona Euro sai da recessão mas “é cedo para abrir champanhe”

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A zona euro começou finalmente a reagir à crise. Depois de dados
mais favoráveis na atividade económica e no sentimento empresarial
em junho, o Eurostat deverá confirmar hoje uma recuperação da
economia. O crescimento esperado para o segundo trimestre ainda é
anémico, não vai além dos 0,2%, mas interrompe a pior recessão
desde a Grande Depressão.

A maior contribuição para o regresso ao crescimento virá da
Alemanha e a tempo das eleições legislativas, marcadas para 22 de
setembro. A evolução prevista é de 0,7%, um novo sinal positivo
depois do inesperado aumento de 2,5% da produção industrial em
junho. Evelyn Hermann (BNP Paribas) diz que a reação está a ser
“um pouco melhor” que o previsto.

Mas a Alemanha não é o único caso de sucesso neste segundo
trimestre do ano. A acalmia nos mercados financeiros, os esforços de
contenção orçamental realizados em Portugal, Espanha, Itália e
Grécia e o crescimento mais rápido da economia norte-americana
também terão ajudado a zona euro. “O ambiente externo está a
ficar realmente melhor, conduzido pelos sinais de que a procura nos
EUA está a aumentar”, diz Nick Kounis, analista do banco ABM Amro
NV.

Este regresso ainda que tímido ao crescimento já tinha sido
antecipado pelas agências de rating. A Standard & Poor”s dizia
em junho que “os dados mais recentes apontam para que a zona euro
já tenha batido no fundo”, esperando-se agora uma “reviravolta
em toda a região”. O mesmo foi apontado pela agência Fitch que,
no seu mais recente relatório, assinalou a chegada do tão desejado
“ponto de retorno” para a região.

No entanto, estes dados continuam a não garantir o fim da crise.
A zona euro continua a ser o reflexo de uma Europa a duas
velocidades, onde existem crescimentos díspares; países em
ajustamento financeiro; desemprego nos 12,1% e dívidas públicas
muito elevadas e em trajetória não controlada .

Portugal está longe de ser um dos maiores problemas da região.
No segundo trimestre, a economia também deverá crescer entre 0,2% e
0,6%. Ainda assim, a incerteza não se dissipou e, a par da Irlanda,
embora numa situação muito mais difícil, pode ter de pedir um
resgate cautelar que assegure apoio no regresso aos mercados,
previsto para junho de 2014. Os cortes previstos para a administração
pública e a certeza de um Orçamento do Estado mais duro também não
facilitam.

O maior pesadelo da zona euro é mesmo a Grécia: a recessão vai
manter-se no segundo trimestre, apesar de estar a abrandar a queda; o
desemprego já vai em 27,6% e o terceiro resgate financeiro já deve
estar a caminho.

Apesar de a confiança económica no euro ter aumentado pelo
terceiro mês em julho e de a produção industrial também ter
crescido – 0,7% face a junho e 0,3% relativamente ao ano passado -,
nada parece ainda suficientemente sólido. “Ainda é muito cedo
para falar num fim da crise da dívida na zona euro”, assinalam
Michala Marcussen e Brian Jilliard, analistas do Société Générale.
Também Nick Kounis, do ABM Amro NV, antevê uma “recuperação
dolorosamente lenta”. E sublinha que “ainda não temos razões
para champanhe”.

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