Zoo de Lisboa avança com rescisões, sindicato diz que é "despedimento coletivo encapotado"

"Despedimento coletivo destruirá trabalhadores e suas famílias, depois de tantos anos a trabalhar no Jardim Zoológico", acusa sindicato. Empresa diz que se trata de uma "reestruturação com alguns funcionários por mútuo acordo".

O Jardim Zoológico de Lisboa está a avançar com um "despedimento encapotado" de "dezenas de trabalhadores", disse esta terça-feira o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB).

A empresa diz que não é bem assim; diz que está antes a chegar a acordo com vários empregados para que estes aceitem sair. São "rescisões por mútuo acordo", diz fonte da empresa à Lusa.

A notícia sobre esta reestruturação foi avançada esta terça-feira pela SIC Notícias.

Fonte oficial do SINTAB, sindicato da CGTP refere que "a administração do Jardim Zoológico de Lisboa está a levar a cabo um processo de despedimento encapotado de dezenas de trabalhadores, que têm sido contactados individualmente para vender o seu posto de trabalho com efeitos imediatos".

Para o SINTAB, trata-se de uma "prática violenta, ainda mais no período em que se vive".

"Estes trabalhadores sofrem com horários desregulados, trabalhos duplicados, muitas vezes sem as condições sanitárias exigidas" e esta administração "vem fazer um despedimento coletivo que destruirá os trabalhadores e as suas famílias, depois de tantos anos a trabalhar no Jardim Zoológico", acusam os representantes sindicais.

Em declarações à Lusa, o Jardim Zoológico diz que "não efetuou até à data nenhum despedimento coletivo", mas admitiu que está a decorrer "uma reestruturação da empresa com alguns dos seus funcionários por mútuo acordo".

O Jardim Zoológico está outra vez fechado, o que acontece pela segunda vez desde o início da pandemia, em março do ano passado, e acena que "não teve qualquer tipo de apoios até ao momento", mas, mesmo assim, "não iniciou um processo de despedimento coletivo, assumindo como prioridade inegável os interesses e segurança dos seus colaboradores e animais".

Por causa das novas regras de confinamento decretadas pelo governo, o Jardim Zoológico encontra-se encerrado desde 15 de janeiro e diz que "voltará a abrir assim que seja possível".

No entanto, o contexto é problemático, pelo que a empresa está a avançar com a tal reestruturação, para cortar nos custos com o pessoal.

As rescisões ou os despedimentos que vão acontecer no Zoo de Lisboa são mais alguns que podem ajudar a engrossar os números do desemprego em Portugal.

Segundo o Ministério do Trabalho o desemprego registado e o número de pessoas apoiadas com subsídio de desemprego estavam a subir de forma muito acentuada em janeiro face a igual mês do ano passado, mais de 30%.

Em 2020, o número de trabalhadores visados por despedimentos coletivos duplicaram.

O Jardim Zoológico de Lisboa foi inaugurado em 1884. Segundo a empresa, primeiro, o Zoo foi estabelecido no Parque de São Sebastião da Pedreira, em 1894 mudou-se para os terrenos de Palhavã, no terreno onde hoje se situa a Fundação Calouste Gulbenkian.

"Mais tarde, em 1905, o Jardim Zoológico foi transferido para a sua atual localização, na Quinta das Laranjeiras, em Sete Rios."

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