Banca europeia tem 4 biliões de euros para empresas alinhadas com Acordo de Paris

Estudo da consultora Oliver Wyman e da organização sem fins lucrativos 'Carbon Disclosure Project' detetou o potencial de financiamento para empresas europeias que estejam alinhadas com a meta de limitar a subida da temperatura média global em, pelo menos, 2 graus Celsius.

O potencial de financiamento bancário disponível para empresas europeias alinhadas com o Acordo de Paris ronda os quatro biliões de euros.

A conclusão é de um relatório da consultora Oliver Wyman e da 'Carbon Disclosure Project' - que gere um sistema mundial de divulgação ambiental - ao analisar os bancos que pretendem financiar empresas que pretendem contribuir para evitar a subida da temperatura no planeta.

Segundo o relatório entitulado 'Running hot: accelerating Europe"s path to Paris', "95% dos empréstimos a empresas na Europa provêm de bancos que aspiram alinhar-se com Paris".

"Contudo, apenas uma em cada dez (empresas europeias com empréstimos bancários) têm os objetivos de emissões segundo a principal meta do Acordo - a de evitar que o aumento da temperatura média global supere os 2 ºC (graus Celsius)", refere um comunicado relativo ao estudo.

"Este dado em particular mostra que os bancos que financiam estas empresas estão muito longe de estarem a seguir as indicações de Paris", adianta.

De acordo com a análise, "existe um desajuste de quatro biliões de euros entre os empréstimos bancários a empresas cumpridoras do ponto de vista ambiental e o mercado destes empréstimos corporativos na Europa".

O relatório sugere ainda que, para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius, "seria necessário multiplicar por oito o nível atual de ambição das empresas europeias em matéria de emissões".

O estudo aponta que os bancos e os investidores podem desempenhar para se atingir aquele objetivo que conclui que, "atualmente, apenas metade das instituições avaliam se os clientes ou as empresas investidoras têm estratégias alinhadas com Paris".

Sem um maior compromisso, o relatório prevê que "num cenário de "aceleração modesta", os bancos poderiam ter que ajustar as suas carteiras de empréstimos em 20-30% para cumprir com os objetivos de Paris".

De acordo com a análise, no geral, o setor empresarial europeu caminha para atingir os 2,7 graus Celsius de aquecimento global nos finais do século, com países que oscilam entre os 2,3 graus Celsius - Suíça - e os 3,0 graus Celsius - Reino Unido, Bélgica e Itália.

Portugal melhora no combate ao aquecimento global

Existem agora quatro empresas portugueses consideradas pioneiras em termos ambientais, uma melhoria face a apenas uma empresa no relatório anterior, o que coloca Portugal numa melhor posição no combate ao aquecimento global, avança o mesmo estudo.

O relatório classificou a EDP com a nota "A" em duas de três categorias: combate às alterações climáticas e medidas para a poupança de água.

"Também os CTT, a Sonae e a The Navigator Company se distinguiram com a classificação mais elevada pelas iniciativas desenvolvidas no combate às alterações climáticas", aponta o comunicado.

O estudo baseia-se nos dados que cerca de mil empresas europeias e refere que "os últimos dados mostram o impulso positivo para a descarbonização dado pelas empresas: um total de 56% das empresas afirma ter já um plano de transição - que se eleva a mais de três quartos no setor energético - e mais de 50% das empresas europeias por valor de mercado aderiram à iniciativa 'Science Based Targets', que aprova se os objetivos de emissões se ajustam ao Acordo de Paris".

Mas o relatório revela que existem ainda grandes diferenças. "Nos setores siderúrgico e dos serviços elétricos, os dados revelam que as melhores empresas são até quatro vezes mais eficientes em matéria de carbono".

Maxfield Weiss, diretor executivo da CDP Europa, destaca, citado no relatório, que as fortes medidas restritivas adotadas por governos, no âmbito da epidemia do novo coronavírus, mostraram que há uma oportunidade para baixar as emissões de dióxido de carbono, que cairam 7% em 2020.

Mas Weiss alerta que a retoma do crescimento económico traz preocupações no sentido de que a recuperação seja feita em detrimento do ambiente.

"Vemos que existe um maior focus numa retoma 'verde' (da economia). Uma que coloca a sustentabilidade no coração da economia. Esta é a altura para transformar. Os modelos de negócio, os sistemas financeiros e as políticas dos governos locais têm de ser renovadas e alinhar com os atuais desafios ambientais que enfrentamos. É a altura de construir melhor para o futuro", defende O responsável da CDC Europa.

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