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11 milhões para transformar sede da Nestlé num ninho

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Um espaço de trabalho flexível e que promova a mobilidade dos colaboradores é o objetivo da multinacional. Em junho de 2021 nasce o ninho Nestlé.

Em qualquer boa casa portuguesa, é na cozinha que se concentra grande parte da vida familiar. E foi também pelo restaurante que arrancou a transformação do edifício-sede da Nestlé Portugal num ninho. Ao todo serão investidos, até meados do próximo ano, 11 milhões de euros no projeto que, “mais do que a transformação de um edifício, é um projeto de transformação cultural”, diz Maria do Rosário Vilhena, diretora de recursos humanos da Nestlé Portugal.

Um ninho em que os mil colaboradores podem optar por voar para fora e trabalhar a partir de casa, levar os filhos para o escritório, reunir-se no jardim, ter aulas de ioga ou fazer experiências agrícolas na horta biológica que vai nascer.

Desde os anos 90 que não havia tantas obras na sede da Nestlé. O combustível para a mudança surgiu com a vinda para Portugal de dois centros de serviços partilhados – o NBS Lisbon e o Nespresso Hub -, que a partir de Linda-a-Velha prestam serviços para a multinacional em todo o mundo. A antiga fábrica da Tofa, transformada em sede em 1994, só tinha capacidade para 450 pessoas e com os dois centros a população residente duplicou. A Nestlé chegou a equacionar mudar, mas optou por transformar o campus com 22 mil metros quadrados, dos quais 16 mil metros quadrados de área verde, num coinvestimento com a Merlin Properties, desde setembro a nova proprietária do campus depois numa operação de sale & leaseback de 12,5 milhões, que assume um custo de 7 milhões, a juntar-se ao meio milhão investido pela Eurest no novo restaurante conceito.

“Há muito poucos espaços de empresas com esta dimensão”, afiança Alexis Pinheiro. Havia que tirar partido dessa vantagem, “promovendo uma forma de trabalhar mais colaborativa e transversal”, diz o gestor de workplace solutions da Nestlé. “Temos 39 nacionalidades e uma população em que 30% são millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e outros 30% são geração Z (1997-2012) com os restantes espalhados por diversas faixas etárias”, diz Maria do Rosário Vilhena. “O edifício que estamos a construir quer ser mais inclusivo para acolher esta diversidade e para que haja mobilidade.”

Escritório-casa

Coube à Openbook dar corpo a essa visão. Havia que “criar uma experiência dentro do campus que tivesse um fio condutor”, explica Paulo Jervell, sócio do ateliê de arquitetura. “Na transformação dos edifícios tendemos a voltar ao conceito de casa”, com foco nos temas de conforto, segurança, relação com as pessoas. Resultado? O ninho, imagem símbolo da companhia: um edifício onde não há gabinetes (nem para o diretor-geral), em que as unidades de negócio (do café, aos chocolate passando pelo pet care) estão organizadas em 18 pontos-âncora, mas permitindo que os colaboradores, caso os projetos o exijam, se juntem a outras unidades.

Espalhadas pelo edifício há zonas para café (cada um com o “patrocínio” de uma das marcas da Nestlé), mas também áreas de silêncio, para reuniões ou assuntos que exijam maior reserva. Um edifício “verde”, visível não só no tipo de materiais usados na decoração mas também nas alterações introduzidas no sistema de iluminação e climatização automatizada, permitindo poupanças entre 30% e 40% na fatura da eletricidade. Vão ser ainda colocados painéis solares permitindo a autonomia energética do edifício.

Flexibilidade e mobilidade são as palavras de ordem. Isso passa por trabalhar fora do escritório – “não queremos que as pessoas trabalhem mais ou em horários desadequados”, diz a responsável de RH. “30% do pessoal já trabalha de forma flexível de forma permanente, mas entre 40% e 50% já trabalhou à distância pelo menos uma ou duas vezes” – mas também financiar outras formas de chegar à sede, com o abandono do carro.

Em três anos, a Nestlé quer substituir os 450 carros da frota para veículos elétricos ou híbridos; passou a financiar em 50% os passes sociais; a atribuir vouchers de 20 euros para car sharing e a disponibilizar um shuttle, que realiza dois percursos a partir de Lisboa, em que o colaborador só paga 0,50 euros por trajeto. Medidas financiadas pela cobrança do parque de estacionamento aos colaboradores, com valores que vão desde os 15 euros (motos) a 80 euros (carros da direção).

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