Tecnologias

Novo paradigma dos produtos imperfeitos mas viáveis pode mudar as TI

REUTERS/Hamad I Mohammed
REUTERS/Hamad I Mohammed

As aplicações informáticas não devem ser perfeitas à primeira tentativa. Há que desenvolvê-las juntamente com as áreas de negócio.

Fazer, mesmo que imperfeito, é melhor do que não fazer. Ir melhorando um produto à medida que é desenvolvido e é posto em contacto com o mercado é melhor do que querer fazer tudo bem à primeira. Chavões que hoje dão corpo a um novo paradigma no desenvolvimento de novos produtos: o minimum viable product (MVP) ou produto minimamente viável. Esta ideia tem sido muito útil não só às startups como a todas as organizações que querem manter o ritmo e surpreender com novos softwares e aplicações web e mobile.

A angústia de querer fazer chegar ao mercado um produto o mais próximo possível da sua versão ideal faz parte do passado. Hoje, a perfeição atinge-se quando os programadores trabalham em equipa com elementos das várias áreas de negócio e quando são ouvidos os utilizadores. A cultura é outra e os valores são os da colaboração entre desenvolvimento de software e operações (DevOps), agilidade, automação e processos lean, ou seja, sem desperdício de tempo e recursos.

Do modelo em cascata #para o DevOps

O desenvolvimento de software no modelo tradicional (waterfall ou cascata), que muitas empresas ainda usam, é feito por etapas: a informação com a definição daquilo que se pretende é passada aos programadores e estes fazem o desenvolvimento. O produto é testado e produzido. O desenvolvimento nas fases de análise e de design é menos caro no início, mas encarece no final devido às muitas alterações a fazer. As operações não acompanham o processo desde o início.

Nesta abordagem é gasto muito tempo a tentar ser exaustivo e a planear ao máximo tudo o que é necessário numa aplicação informática para assegurar que é bem desenvolvida à primeira. O problema é que não é possível conhecer todos os requisitos que virão a ser necessários numa aplicação ou ter um plano para cada eventualidade. Assim, longe de estar perfeito, o software é alvo de várias alterações. Ora, quanto mais vezes a aplicação é alterada, mais complexa e mais cara se torna. Muitos projetos chegam a um ponto em que é mais barato deitar fora e começar de novo, acreditam os especialistas.

Melhorar a aplicação ao #longo do seu ciclo de vida

E se em vez de tentar criar o melhor software na primeira tentativa for sendo melhorado com o contributo de elementos das várias áreas de negócio e de apoio, como a área de marketing, legal e financeira, para aumentar a agilidade, não perder tempo e levar ao mercado produtos que sejam minimamente viáveis?

Como fazer software em menos tempo e com menos custos mesmo que não fique perfeito logo de início? A Outsystems tem a solução desde 2001, quando criou uma ferramenta low-code que possibilita a qualquer pessoa sem conhecimentos técnicos desenvolver aplicações web e mobile, explica Inês Pires Marques. Segundo a diretora de vendas da empresa para Portugal e PALOP, a plataforma permite um desenvolvimento seis vezes mais rápido e “poupa tempo perdido na escrita de linhas de código”. E as alterações são rápidas e baratas em qualquer momento do ciclo de vida.

É assim possível lançar uma aplicação em meses ou semanas. “O tempo de entrega foi encurtado drasticamente, tendo passado de 20 meses para 16 a 20 semanas, com as alterações a serem feitas em algumas horas”, explica a empresa no seu website.

Levar o modelo DevOps #às empresas portuguesas

Qual o nível de maturidade das empresas portuguesas em relação ao modelo DevOps (fusão entre desenvolvimento e operações). Ter a resposta a esta pergunta é o objetivo da tecnológica nacional Glintt, ao fazer uma parceria com a Outsystems e com a empresa americana de estudos de mercado e tendências tecnológicas IDC Portugal. Juntas, as três entidades acabam de lançar o IDC DevOps Assessment & Benchmark, uma iniciativa que arrancou em outubro deste ano para identificar a maturidade das organizações nacionais em relação ao seu conhecimento e aplicação de práticas de DevOps.

Até ao final do primeiro semestre de 2018 decorrerá um conjunto de workshops executivos junto de algumas das maiores organizações nacionais no setor financeiro, seguros, energia e telecomunicações, que têm necessidade de reduzir o tempo de criação de novos produtos, explicou David Faustino, diretor de corporate & marketing da Glintt. “Pretendemos publicar, no segundo semestre de 2018, o primeiro estudo sobre a maturidade do DevOps em Portugal com os principais benefícios, desafios e recomendações de iniciativas concretas.”

Serão avaliadas as organizações em termos de níveis de maturidade e depois feito o benchmark, ou seja, a comparação das organizações portuguesas face ao desempenho das duas mil maiores organizações mundiais em várias áreas, como a banca ou o retalho, explica Gabriel Coimbra, country manager da IDC, empresa americana de estudos de mercado e tendências tecnológicas, em Portugal desde 1998.

Depois de conhecer o nível em que estão – existem cinco níveis de maturidade -, as parceiras querem “ajudar as organizações portuguesas a evoluir e a chegar mais perto das práticas de DevOps, recomendando um conjunto de iniciativas”, adianta Gabriel Coimbra, responsável pela criação e aplicação do modelo de avaliação e benchmark.

No nível mais baixo de maturidade (Ad Hoc), a cultura tecnológica permite silos, limita a colaboração e as ferramentas não estão integradas. No nível mais alto (Optimized), a cultura está assente nos valores DevOps e são os clientes que indicam certos ajustamentos a fazer ao produto.

Hoje, os programadores não têm ilusões: uma aplicação nunca fica perfeita à primeira. Aliás, é mesmo desejável que o produto possa ser melhorado ao longo de todo o seu ciclo de vida, em resultado das opiniões de equipas multidisciplinares e de quem o vai utilizar. Já não se trabalha por projetos de um ano, mas por sprints de uma semana ou de 15 dias, o tempo necessário para lançar um minimum viable product.

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