Investimento

Ikea. Parque eólico do Pisco avaliado acima de 50 milhões

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Este é o novo investimento da Ikea Portugal: o Parque Eólico do Pisco, avaliado entre 50 e 60 milhões de euros

A Ikea Portugal está a investir em energias verdes e vai tornar-se proprietária de um parque eólico. Ao todo são 25 as turbinas que compõem o Parque Eólico do Pisco, situado no Interior norte de Portugal, entre as localidades de Aguiar da Beira, Sernacelhe, Fornos de Algodres e Trancoso. Em funcionamento desde outubro de 2015, esta central eólica – uma das 240 existentes em Portugal – tem uma capacidade de 50 MW, com uma produtividade anual de 156 GW/h.

De acordo com os dados da Associação de Energias Renováveis (APREN), só em 2016 o parque eólico produziu 148 GW/h, o equivalente à eletricidade consumida por 116 mil portugueses e evitou a emissão para a atmosfera de 52 toneladas de dióxido de carbono.
Neste momento, a operação encontra-se ainda sob validação da Autoridade da Concorrência e a Ikea não revela para já o valor da operação, mas o Dinheiro Vivo sabe que em 2014 o Parque Eólico do Pisco recebeu um financiamento de 50 milhões de euros de project finance do Millennium Investment Banking.

O valor do projeto é atestado por António Sá da Costa, presidente da APREN. “Para uma capacidade de 50MW, o parque eólico do Pisco deve ter custado 50 a 60 milhões de euros. Quem o construiu não vai vender a preço de custo, mas sim por mais. Além disso, o parque é grandinho e é novo, por isso ainda não desvalorizou.”

Sobre a tendência de empresas sem ligações ao setor energético investirem na compra de parques eólicos, Sá da Costa elogia o pioneirismo da Ikea. “Em Portugal, que eu saiba, não existe mais nenhum caso semelhante. Mas no estrangeiro é muito comum. Nos EUA, por exemplo, a EDP Renováveis tem vendido eletricidade renovável à Amazon, à Google, à Apple.” Por cá, garante, quase um quarto da energia consumida em Portugal é já de origem eólica, ou seja, em cada hora, 15 minutos são alimentados pela energia do vento.

A Autoridade da Concorrência deu conta, esta semana, de ter sido informada sobre uma operação de concentração de empresas, que consiste na aquisição pela Ikea Holding, através da sua subsidiária portuguesa, do controlo exclusivo sobre o Parque Eólico do Pisco, que se dedica ao negócio de geração, distribuição e venda de energia elétrica com recurso a fontes renováveis.

Em causa está a aquisição da totalidade do capital desta empresa detida pela Windpartners Renováveis, que, por sua vez, adquiriu o projeto ainda antes da sua construção, em 2014, esclareceu Cláudia Domingues, diretora de comunicação e sustentabilidade da Ikea Portugal ao Dinheiro Vivo.

“Com a operação de aquisição, o Grupo Ikea contratou a Exus Management Partners para a gestão diária das operações do Parque Eólico do Pisco”, disse a mesma responsável, explicando que “uma das acionistas da Exus Management Partners [sociedade internacional de investimento e gestão de ativos do setor das energias renováveis, em Espanha e Portugal] também faz parte da estrutura da Windpartners Renováveis – a empresa que detém o Parque Eólico do Pisco e com a qual o Grupo Ikea fez o negócio”.

A nível global, a empresa comprometeu-se com a aplicação de 1,7 mil milhões de euros em energias renováveis, com investimentos em energia eólica em 12 países: Canadá, Suécia, Dinamarca, França, Alemanha, Finlândia, Polónia, Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Lituânia, Bélgica e, agora, Portugal. Ao todo são 441 turbinas eólicas, incluindo as 25 do Parque Eólico do Pisco.

“Com esta aquisição, queremos contribuir para o investimento e aposta nas energias verdes em Portugal. Neste sentido, o Parque Eólico do Pisco revelou-se um projeto interessante e viável”, reforça Cláudia Domingues, sublinhando que não estão previstos investimentos adicionais na central eólica.

Em cima da mesa está também o objetivo de produzir tanta energia renovável quanto a energia consumida pelas operações do Grupo Ikea, até 2020. Para isso, “a energia renovável gerada no Parque Eólico do Pisco será integrada na rede nacional de distribuição de energia, apoiando assim as necessidades energéticas na região norte”, explicou a diretora de comunicação e sustentabilidade da Ikea Portugal.

O investimento do grupo em energias renováveis concretizou-se, nos últimos anos, pela instalação de mais de 11 000 painéis solares fotovoltaicos na cobertura das suas lojas em edifício próprio – Alfragide, Matosinhos, Loures e Loulé. Com este projeto, 98% da energia produzida pelos painéis solares é incorporada pelas unidades de retalho, representando 25% do total da energia consumida por cada loja.

“Vamos continuar atentos às oportunidades, inclusivamente através da aposta nas energias renováveis”, disse ainda Cláudia Domingues. “Portugal está entre os países da União Europeia com maior quota de utilização de energias renováveis e a energia eólica é um recurso interessante quando comparamos com outros países.”

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