Indústria

Despedimento coletivo ensombra Efacec

Ângelo Ramalho, CEO da Efacec. Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens
Ângelo Ramalho, CEO da Efacec. Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens

O grupo eletromecânico ressente-se da quebra de encomendas e da redução dos resultados operacionais

A Efacec iniciou ontem um processo de despedimento coletivo de 21 trabalhadores afetos à área dos transformadores de potência. Cinco desses funcionários pertencem à comissão de trabalhadores. “O Governo vai ter que explicar qual é o poder da Efacec” que, apesar de lhe ter sido concedida uma extensão da concessão do estatuto de empresa em reestruturação até 2019, avançou com um despedimento coletivo, disse ao JN Miguel Moreira, dirigente do SITE-Norte.

Para o dirigente sindical, a administração do grupo eletromecânico “está a fazer uma purga aos trabalhadores”. Fonte da comissão de trabalhadores (CT) frisou que o objetivo do despedimento de cinco delegados sindicais é “calar o poder reivindicativo”, depois de um processo “encapotado de rescisões amigáveis”, sob “pressão dos chefes”. Em março, os trabalhadores promoveram uma greve e alertaram para a existência de uma lista com 49 nomes. Esses trabalhadores terão sido pressionados a desvincular-se da empresa, caso contrário a alternativa era o despedimento coletivo.

Desde julho do ano passado, o grupo liderado por Ângelo Ramalho procurou dispensar 150 colaboradores ao abrigo de programas de rescisão por mútuo acordo, acusam as organizações representativas dos trabalhadores. Tudo dentro da lei. O Governo aprovou a extensão do estatuto de empresa em reestruturação para as áreas da energia e engenharia, que prevê a possibilidade de rescisão com 409 trabalhadores no triénio 2017/2019.

Segundo a Efacec, os 21 colaboradores que entraram no processo de despedimento coletivo não aceitaram as soluções propostas quando, em março, a empresa iniciou um processo de ajustamento na área dos transformadores de potência que envolvia 49 pessoas. O grupo liderado por Ângelo Ramalho propôs aos trabalhadores soluções de mobilidade e rescisões por mútuo acordo: “11 aceitaram novas funções no âmbito da mobilidade interna” e “17 optaram pelo plano social de rescisão”, lê-se no comunicado enviado pela Efacec.

Este processo de ajustamento deve-se à “quebra de encomendas de 33% e uma redução de 125% nos resultados operacionais entre 2013 e 2017” do negócio de transformadores, justifica a Efacec. Fonte da CT admite “houve períodos de paragem” nesta atividade, mas alerta que cada vez mais a empresa recorre “à subcontratação no fabrico de transformadores, um destes dias só fazemos a montagem”. Miguel Moreira também acusa a Efacec de recorrer ao outsourcing e a trabalho precário. Este ano, o grupo já recrutou cerca de 100 colaboradores.

Em 2016 (últimas contas divulgadas), a Efacec apresentou lucros de 4,3 milhões de euros e registou receitas de 431,5 milhões. As áreas dos transformadores e energia foram as que mais contribuíram para as vendas, 146,3 milhões e 90,9 milhões respetivamente.

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