Inovação

Sanofi cria vacina para mais estirpes de gripe e “melhora proteção”

Olivier Brandicourt é o CEO da Sanofi. Foto: REUTERS/Charles Platiau
Olivier Brandicourt é o CEO da Sanofi. Foto: REUTERS/Charles Platiau

Estudos indicam que uma vacina quadrivalente que poderá permitir uma redução da fatura que a gripe tem para os países

A Sanofi Pasteur, unidade de vacinas da farmacêutica francesa Sanofi, desenvolveu uma vacina contra quatro estirpes da gripe. Esta vacina quadrivalente, que ainda não está a ser comercializada em Portugal, quer dar uma proteção mais ampla contra o vírus.

“A vacina quadrivalente para a gripe é uma que inclui quatro estirpes diferentes de gripe. Há duas grandes famílias da gripe, a A e a B, que afetam os humanos. Dentro dessas duas grandes famílias há subtipos. Em termos históricos, havia apenas um subtipo [na família] B. No início da década de 1980, essa estirpe B dividiu-se em duas. A vacina contra a gripe era apenas para as duas estirpes [da família] A e uma da B. Mas desde a separação [na família B], a vacina tem de incluir os quatros membros da família se for para dar uma melhor proteção”, explica Rosalind Hollingsworth, Global Medical Affairs Lead, Influenza, da Sanofi Pasteur.

Quando questionada sobre se há dados sobre o impacto económico da vacinação, a especialista sublinha que: “a vacina contra a gripe é economicamente eficiente” e é expectável que tenha “um maior impacto” económico que do que a trivalente (contra três estirpes: dois da família A e uma da B).

Um estudo do Centro norte-americano de Informação Biotecnológica (NCBI na sigla em inglês), realizado a cinco economias da União Europeia – França, Alemanha, Reino Unido, Espanha e Itália – indica que, um milhão de casos poderiam ser evitados durante 10 períodos sazonais (entre 2002–03 até 2012–13) se tivesse sido prescrita uma vacina para quatro estirpes da gripe. No caso de toda a UE, um cenário que é extrapolado no estudo, poderiam ser evitados 1,6 milhões de casos com uma vacina quadrivalente.

O NCBI indica ainda que o fardo económico que poderia ser evitado com o uso de uma vacina quadrivalente em vez de uma trivalente, na perspetiva dos contribuintes, ascende a 87,2 milhões de euros neste período.

O médico pneumologista português, Filipe Froes, assume que não há “grandes estudos” relativos ao impacto económico da vacinação contra a gripe em Portugal. Contudo, estudos elaborados em outros países, como os EUA e o Reino Unido, indicam que: “em diferentes grupos populacionais temos diferentes benefícios e vantagens”. “Numa população jovem e ativa, e mesmo na universitária e estudante, temos menor absentismo laboral, menor absentismo escolar e isso significa, muitas vezes, maiores ganhos de produtividade e maior até rentabilidade para as entidades patronais. Na população mais idosa e reformada, o que temos é menor carga de doenças”, o se pode traduzir numa diminuição da pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Além disso, recorda Filipe Froes, menos pessoas internadas nos hospitais e menos consultas significa também numa redução da toma de antibióticos. “Indiretamente, estamos, através do aumento da prevenção das infeções respiratórias a contribuir para um desígnio que é fundamental para todos: diminuir a resistência aos antimicrobianos”.

30 hectares para produzir vacinas

A Sanofi Pasteur – que se juntou à Sanofi no ano passado, época em que terminou a joint-venture Sanofi Pasteur MSD – produz vacinas para várias doenças, incluindo a gripe. O centro de operações na Europa está localizado em Val de Reuil (França), onde está um complexo industrial com 60 edifícios espalhados por 30 hectares.

A produção destes medicamentos é um processo sofisticado e fez com que a empresa tenha investido 600 milhões de euros em Val de Reuil na última década. Neste valor estão incluídos os 170 milhões de euros que a empresa estima despender na construção de um novo edifício para a produção de vacinas da gripe, que deverá estar operacional em cerca de quatro anos.

No ano passado, a empresa produziu 200 milhões de doses de vacinas para a gripe sazonal, cerca de 40% das vacinas que chegaram ao mercado em termos mundiais.

  • *Jornalista viajou para França a convite da Sanofi Pasteur.
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