Smart cities

Integração tecnológica é uma necessidade dos municípios

Isaltino de Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, fotografado esta tarde nos estúdios da TSF, durante o Debate Inovação NOS com Sofia Tenreiro da Cisco.
( Gustavo Bom / Global Imagens )
Isaltino de Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, fotografado esta tarde nos estúdios da TSF, durante o Debate Inovação NOS com Sofia Tenreiro da Cisco. ( Gustavo Bom / Global Imagens )

No debate sobre a evolução na tecnologia nas cidades, os participantes alertaram a importância da integração.

A tecnologia é um Rolls Royce mas o backoffice das câmaras municipais é ainda um Citroen 2CV”. A metáfora foi estabelecida por Isaltino Morais durante o debate dedicado ao tema Smart Cities, promovido pelo Prémio Inovação NOS, em parceria com a TSF e o Dinheiro Vivo, evento no qual participou ainda Sofia Tenreiro, directora-geral da Cisco Portugal.

Durante a discussão de ideias sobre a realidade portuguesa das cidades inteligentes, Isaltino Morais explicou o porquê da sua comparação: a tecnologia disponível nas cidades, nomeadamente nas plataformas de comunicação com os cidadãos, facilitou a vida aos munícipes, que rapidamente identificam e reportam situações de descontentamento – Oeiras tem, por exemplo, a plataforma OeirasEu para comunicar com a edilidade – mas os serviços das autarquias nem sempre conseguem atuar com a mesma rapidez. “Um buraco na rua pode ser comunicado instantaneamente ao município, mas nem sempre os serviços têm capacidade para resolverem de imediato a situação. Ora isto gera ansiedade, a ansiedade dá lugar à crítica, surgindo depois a revolta. Ou seja, a tecnologia facilita a vida ao cidadão, mas também gera algum desconforto porque os serviços não estão todos no mesmo estádio de desenvolvimento”, explica.

Sofia Tenreiro abriu o debate explicando o que é, de forma simples, uma cidade inteligente: “vivemos numa era em que toda a informação recolhida pode melhorar a nossa vida. Todas as cidades podem obter informações, quer dos moradores, quer dos edifícios, do trânsito ou dos turistas, e essa informação deve ser utilizada em prol do cidadão, reduzindo custos e aumentando a eficiência. A base deste trabalho é a tecnologia, que permite ler as cidades, ler os equipamentos e traduzir essa leitura em decisões inteligentes e eficientes”. Refere ainda que o Wi-fi está hoje na base da pirâmide das necessidades desenhada por Maslow, e que representa uma janela aberta para o mundo. Esta conetividade, através de telemóveis, de sensores, além de facilitar a vida aos condutores, a turistas na sua visita cultural, pode ainda identificar situações de inundações ou mesmo incêndios, entre outras situações de perigo. “O mais importante é que esta tecnologia seja sempre colocada ao serviço do cidadão”.

Tecnologia bem integrada

Isaltino Morais, que diz não ser Velho do Restelo, mas sim um crítico em relação a determinadas situações, afirma que concorda com a evolução tecnológica conseguida nas cidades, mas que “não podemos pensar que Smart Cities são cidades inteiramente novas, trata-se antes de uma evolução constante do papel da tecnologia nas cidades” Refere ainda que o maior problema das tecnologias é conseguir uma integração satisfatória de todas as aplicações, ou seja, a tecnologia tem de se adaptar às necessidades dos municípios e não o contrário. “Os municípios são consumidores de tecnologia, mas têm especificidades muito próprias. Quem a disponibiliza tem de a saber adaptar: Oeiras, por exemplo, tem imensos serviços e a grande dificuldade está em conseguir pô-los a conversar. Compramos uma aplicação para isto, outra para aquilo, dizem-nos que servem para tudo, mas depois apenas se aplicam a 10% do que diziam”, afirma.

Revela ainda que Oeiras foi talvez o primeiro município do país a fazer a entrega de projetos urbanísticos em formato digital, mas depois esta solução fica isolada dentro da organização, pois, além de haver alguma resistência, nem todos os serviços beneficiam dessa tecnologia. “A nossa grande dificuldade é encontrar uma empresa que nos apresente uma aplicação transversal”, diz a propósito. Afirma ainda que, a certa altura, é necessário avaliar a relação custo/benefício pois no caso de “tecnologia como a de rega de jardins públicos, disponibilizada no projeto Neptuno, reduz o desperdício de água, é certo, mas também pagamos entre 10 a 15 mil euros ao ano só pela gestão da plataforma, sendo que já se pagou o seu preço inicialmente”.

Sofia Tenreiro refere que “o que é crítico nesta questão é mesmo fazer um bom planeamento das necessidades, não apenas do município em si, mas de todo o ecossistema, ter um olhar holístico, observando igualmente a cultura da organização e para os processos utilizados. Utilizar tecnologia em cima de processos antigos é igual a não mudar nada. Ou seja, aceleramos uma parte, mas criamos frustração em outras”, remata.

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