Energia

OPA EDP. Estado chinês trava OPA rivais europeias à EDP, diz FT

CTG

A posição controlada pelo regulador chinês SAFE tem tido um grande impacto na prevenção de outras potenciais ofertas rivais

Afinal há uma razão de peso para que não tenha surgido até agora, por parte de outras gigantes elétricas europeias, uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) concorrente à que foi lançada pela China Three Gorges (CTG) à EDP e EDP Renováveis.

Quem o diz é o Financial Times, citando banqueiros envolvidos no processo. Isto porque o regulador chinês State Administration of Foreign Exchange (SAFE) é a entidade responsável por uma “misteriosa” posição de 5% na EDP, que por estes dias enfrenta uma OPA no valor de cerca de nove mil milhões de euros por parte da CTG.

Contactadas pelo FT, nem a CTG nem a EDP quiseram comentar. O mesmo se verificou com a CNIC e a SAFE. No entanto, a CTG tinha já dito no anúncio preliminar da OPA que a proposta de aquisição provém apenas da CTG, com a CNIC a ter liberdade total para tomar a sua decisão sobre a mesma.

Embora pequena, dizem as fontes citadas pelo FT, a posição controlada pelo regulador chinês SAFE tem tido um grande impacto na prevenção de outras potenciais ofertas rivais, nomeadamente por parte das elétricas europeias que no passado também se mostraram interessadas da EDP. Com a CTG a oferecer 3,26 euros por ação (o que representa um prémio de apenas 4,8%), a EDP não considerou a OPA hostil mas já fez saber que o preço oferecido é demasiado baixo. No entanto, a empresa liderada por António Mexia reconheceu “mérito nas intenções estratégicas da CTG”,deixando a porta aberta para a via negocial com os chineses.

O Dinheiro Vivo sabe que o ideal para a equipa de António Mexia seria conseguir somar à oferta que já está em cima da mesa um prémio de controlo para os acionistas entre 20% e 30%, o que elevaria o preço por ação para valores entre 3,91 e 4,23 euros, mais em linha com o prémio oferecido em 2011 pela CTG (3,45 euros por ação) para a aquisição de uma participação minoritária na EDP. “A oferta da CTG não incorpora um prémio de controlo para os acionistas da EDP”.

A CTG é a maior acionista da EDP e detém 23,7% da empresa, procurando agora aumentar esta participação para, pelo menos, 50% mais um, para controlar a elétrica. “A influência das ações detidas pela CTG tem sido aumentada pelos 5% detidos pelo pouco conhecido grupo chinês CNIC Corporation, sendo que no total os grupos controlados pelo Estado chinês controlam 28% das ações da EDP”, escreve o FT.

De acordo com os registos consultados pelo jornal, a CNIC Corporation é um grupo detido – através de dois fundos de Hong Kong – pela SAFE (o regulador central chinês, responsável pelas reservas do país no estrangeiro) e pela China Reform Holdings, também sob controlo estatal chinês.

“A presença da SAFE no negócio sublinha o apoio do Estado chinês e a importância estratégica da proposta de compra da EDP, que a CTG quer usar como base para se afirmar como potência global nas renováveis”, diz ainda o FT.

Muito falada no momento imediato pós OPA, a tese de uma oferta concorrente à EDP pelas gigantes europeias tem vindo a perder cada vez mais força. Gigantes europeias, como a italiana Enel, a francesa Engie ou as espanholas Iberdrola, Endesa e Gas Natural estão, em vez disso, de olho na compra de vários ativos da EDP.

De acordo com o Expansión, a Iberdrola e a Endesa, esta última detida pela Enel, estão a tentar chegar a um acordo com os acionistas chineses da CTG com vista à compra de ativos, afastando uma possível guerra de ofertas, com as elétricas europeias como principais concorrentes.

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