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Omniflow conquista parceria com Siemens e aposta na internacionalização

Pedro Ruão, o CEO da startup Omniflow.
(Rui Oliveira / Global Imagens)
Pedro Ruão, o CEO da startup Omniflow. (Rui Oliveira / Global Imagens)

Para o CEO, Pedro Ruão, “esta parceria vai impulsionar a estratégia de internacionalização". "Com a Siemens iremos chegar a ainda mais mercados".

Depois de, em 2017, a Omniflow ter sido foi a única portuguesa a integrar a lista das 100 startups europeias mais promissoras da plataforma Red Herring, já esta ano a startup portuense que se lançou no mercado com um sistema híbrido de geração de energia solar e eólica, destinada a fins residenciais, comerciais, telecomunicações, sistemas de wi-fi e iluminação urbana, captou o interesse da Siemens.

Da parceria entre as duas empresas resultou a integração da tecnologia Omniled – uma solução de microgeração e armazenamento de energia a partir de fontes renováveis, como a eólica e solar – numa plataforma digital avançada que permite monitorizar e controlar remotamente todos os equipamentos a que está ligada.

A tecnologia Omniled pode ser utilizada em estações meteorológicas, iluminação pública, estacionamento inteligente, vídeo-vigilância, carregamento USB, pontos de acesso Wi-Fi ou altifalantes públicos, entre muitas outras aplicações. Quando integrada numa plataforma digital, passa a ser possível gerir a produção de energia de todas as fontes e os consumos de todos os equipamentos; alertar se houver um defeito ou integrar e interagir com outras soluções, entre outros.

“Começámos como clientes da Omniflow. Na altura, quisemos experimentar a tecnologia Omniled e perceber como poderíamos incluí-la nos projetos de mobilidade que tínhamos em curso – afinal, as missões da Siemens e da Omniflow têm precisamente em comum a ambição de tornar as cidades mais sustentáveis” disse ao Dinheiro Vivo Miguel Rodrigues, da divisão Mobility da Siemens Portugal”. Em suma, diz o m esmo responsável, “uma relação que começou por ser meramente comercial evoluiu para uma parceria tecnológica”. A nível mundial, a Siemens já investiu mais de 800 milhões de euros em mais de 180 startups.

Já para a Omniflow, “esta parceria vai sobretudo impulsionar a estratégia de internacionalização. Juntamente com a Siemens iremos, com certeza, chegar a ainda mais mercados e fazer propostas de maior valor acrescentado para cidades de todo o mundo” disse o CEO Pedro Ruão.

Ambos garantem que na aproximação entre a Siemens e a Omniflow não houve lugar a financiamento da gigante tecnológica à startup. “Esta parceria é resultado da perceção comum de que juntos (Omniflow e Siemens) poderíamos ter uma proposta de valor mais completa para os nossos clientes. Não há um valor de investimento, visto que se trata de uma colaboração em que as duas empresas usam o seu expertise para se complementarem e apresentarem soluções ainda mais abrangentes e benéficas para as cidades”, garante Pedro Ruão.

Miguel Rodrigues reforça: “Mais do que falar em valores de investimento importa realçar os benefícios deste tipo de parceria. As start-ups beneficiam da experiência e conhecimento que temos vindo a acumular ao longo dos anos, bem como do acesso aos mercados onde estamos presentes. E é exatamente isso que tem acontecido neste caso”.

A tecnologia Omniled está já em utilização em alguns projetos-piloto, tal como no Alto da Boa Viagem em Oeiras, onde está ligada aos semáforos num cruzamento da Avenida Marginal; também num parque de estacionamento em Cascais, onde está ligada a um sistema de iluminação autónomo e a um sistema de vídeo vigilância que permite a gestão dos lugares livres e ocupados em tempo real; ou ainda em Matosinhos, na praia da Memória, onde é usada como iluminação. Estes dois últimos projetos recorrem apenas a energia renovável.

 

 

“Temos também outros projetos mais recentes em curso como uma passadeira inteligente retroiluminada, uma rede Wi-Fi gratuita com os vários pontos de acesso dentro de cada equipamento Omniled, uma estação de sensores ambientais que monitoriza a qualidade do ar, entre outros.
Temos, em simultâneo, desenvolvido uma plataforma de monitorização e controlo por forma a permitir que cada cliente da tecnologia Omniled possa aceder às suas unidades, com todo o detalhe e informação, além de possibilitar programar o funcionamento de cada componente do sistema”, explica Miguel Rodrigues.

A Omniflow está neste momento presente em 19 países. “Com a Siemens começámos por trabalhar no mercado nacional, mas neste momento já estamos a trabalhar juntos em mais mercados em África, Europa e Ásia”, disse Pedro Ruão ao Dinheiro Vivo, explicando: “Atualmente, os mercados mais maduros na área da iluminação inteligente e serviços de IoT são os Estados Unidos da América e o Europeu, onde já temos vendas recorrentes tanto no sector privado como no público. Estamos também focados nos grandes mercados como a Índia e a China onde estamos a começar a ganhar projetos já com uma dimensão considerável na ordem das centenas de equipamentos por projeto.”

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