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13 mil milhões para trazer a energia do Sol à Terra

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13 mil milhões para trazer a energia do Sol à Terra

O ISQ participa no maior projeto de investigação científica internacional para construir um reator de fusão nuclear

E se fosse possível reproduzir, na Terra, a energia que alimenta o sol e outras estrelas? Uma forma limpa de produzir eletricidade, sem emissões de carbono, para todos, para (quase) sempre e de baixo custo? Aquela que é uma ambição antiga da comunidade científica desde o tempo da Guerra Fria já está em curso: 35 países estão a colaborar na construção do maior reator alguma vez projetado para testar esta forma de energia – através de fusão nuclear -, num investimento de 13 mil milhões de euros. E Portugal, através do Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), participa no projeto.

“Ganhámos a renovação de um contrato de 7,5 milhões de euros para o controlo de qualidade desta fase do projeto, que é gerido pela Comissão Europeia, Suíça e China” diz, em entrevista ao Dinheiro Vivo, Pedro de Almeida Matias, presidente do conselho de administração do Instituto.

“O ITER é um projeto de investigação e desenvolvimento que está em fase de planeamento mas vai culminar na construção de um reator, no Sul de França, para testar a fusão nuclear em grande escala”. O ISQ tem 17 técnicos a trabalhar permanentemente no projeto, em Portugal, em França e nos vários países envolvidos na investigação.

O reator – ou, mantendo a designação russa original, tokamak – começou a ser construído em meados do ano passado e o objetivo é que entre em testes em 2025 e em funcionamento em 2035, no que o presidente do ISQ considera ser “o maior projeto de investigação científica internacional da atualidade e que vai revolucionar a produção de energia no mundo”. Como? Através de fusão nuclear, criando energia cinética que se converte em energia térmica para “produzir uma fonte de energia quase inesgotável e livre de carbono”.

O objetivo é que as centrais elétricas sejam substituídas precisamente por estes reatores de fusão nuclear. A viabilidade da tecnologia já foi provada na fase 1 do projeto e, no final do ano passado, a Alemanha ligou pela primeira vez um reator de fusão nuclear, concretizando um sonho científico com mais de 60 anos e dando mais um passo no sonho da energia limpa. Ao contrário das centrais nucleares, que funcionam através da fissão nuclear, a fusão gera grandes quantidades de energia e não produz qualquer tipo de resíduos radioativos.

O investimento de 13 mil milhões de euros – financiado por fundos comunitários e pelos orçamentos dos países que não pertencem à União Europeia – é apenas para a construção do reator. Em dezembro foram pedidos quatro mil milhões de euros adicionais para a exploração, elevando o custo do projeto para 18 mil milhões.

Apontar ao comercial
O ISQ, que também participou na primeira fase de desenvolvimento do ITER (com um contrato de 7,5 milhões de euros), vai trabalhar nesta segunda fase nos próximos três a quatro anos e concorrerá aos financiamentos das fases seguintes, garante Pedro Matias. “Podemos ser envolvidos noutras componentes do projeto e ter contratos sucessivos e até contratos maiores porque vamos acumulando conhecimento e obter competências complementares”.

O foco, além de científico, também é comercial: “o ISQ é uma empresa privada, tem de ser autossuficiente, competitiva, pagar salários a 1400 quadros, a maior parte pessoal altamente qualificado. Esperamos conseguir conhecimento novo que possamos aplicar no mercado, com soluções para os clientes”, explica o presidente do instituto.

O instituto desenvolve 20 a 30 projetos por ano, para grandes clientes internacionais e participa em vários consórcios científicos. Constituído por 25 empresas de várias áreas, da aeronáutica ao automóvel, passando pela energia e pela indústria, o instituto, através da sua atividade comercial, tem conseguido “apresentar sempre resultados positivos na ordem dos 500 mil a 1 milhão de euros”, garante Pedro Matias. “No consolidado das 25 empresas faturámos 85 milhões de euros. Temos uma forte componente de oil&gas mas também na aeronáutica e indústria aeroespacial”.

Além da consultoria e do desenvolvimento de tecnologia e testes de qualidade, sobretudo no laboratório em Castelo Branco, o ISQ aposta também nos serviços de metrologia e ainda na formação.

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